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Shein vs Primark: disputa de fast fashion mostra virada do físico ao digital

Alta de preços e avanço do e-commerce aceleram migração de consumidores para Shein e Temu no Reino Unido e Europa, enquanto AB Foods avalia separar a Primark

Dificuldades recentes da Primark refletem, em parte, um ambiente econômico adverso que afeta varejistas em todo o Reino Unido e na Europa (Foto: Jason Alden/Bloomberg)
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  • Preços mais altos e a expansão do comércio eletrônico aceleram a mudança na experiência de compra no Reino Unido e na Europa, ajudando lojas online como Shein e Temu a ganharem espaço, enquanto a AB Foods avalia separar a Primark do grupo.
  • A Primark enfrenta vendas fracas no período de festas, lucro em desaceleração e a ausência de um CEO permanente desde março; a AB Foods estuda desmembrar a varejista para testar seu apelo de forma independente.
  • Vendas da Primark ficaram em 9,5 bilhões de libras no último ano fiscal, com lucro também crescendo de forma mais lenta; a rede mantém preços baixos, como camisetas a 1,30 libra, em lojas como a de Westfield.
  • Rivais como H&M e Zara disputam espaço na Europa; Inditex lança Lefties no Reino Unido; e Shein e Temu atraem clientes com preços ainda menores pela internet.
  • A AB Foods deve anunciar a decisão sobre a cisão em abril; caso ocorra, a Primark poderia atrair investidores que hoje evitam o portfólio mais amplo do grupo, enquanto o governo britânico planeja eliminar a isenção de envio de itens de baixo valor até 2029.

A disputa entre a gigante do fast fashion Shein e a Primark expõe uma virada do físico para o digital na compra de roupas na Europa. O cenário envolve alta de preços, expansão do e-commerce e a avaliação de separação da Primark do grupo AB Foods, controlador da varejista.

Na prática, consumidores sentem o efeito de margens mais apertadas e impostos maiores, que pesam no orçamento de famílias. Enquanto isso, a Shein e a Temu ampliam a atração por meio de compras online com preço baixo, desafiando o modelo tradicional da Primark, que ainda prioriza lojas físicas.

A Primark vive um 2025 turbulento, com queda de lucros e movimento de reestruturação em estudo pela controladora AB Foods. Desde a saída de Paul Marchant, a empresa não tem CEO permanente, elevando a incerteza sobre o futuro da rede de descontos.

O crescimento da AB Foods depende de avaliar a separação da Primark para potencializar outras áreas do grupo, como açúcar e ingredientes. A diretoria analisa impactos de longo prazo, sem tomar decisões com base apenas em resultados de curto prazo.

Cenário financeiro e operacional

As vendas da Primark permaneceram estagnadas no último exercício fiscal, encerrado em setembro, somando 9,5 bilhões de libras. O lucro também teve desaceleração, refletindo o ambiente desafiador no Reino Unido e na Europa.

Analistas apontam que o preço mínimo praticado pela Primark subiu de modo relevante entre 2023 e 2025, com reajustes alinhados a concorrentes como H&M e Next. A empresa afirma manter preços iniciais baixos em itens-chave, como camisetas infantis.

Mercado e transformação digital

Na Europa, a atuação da Primark enfrenta rivais com marca mais consolidada, como H&M e Zara, além de marcas da Inditex. Em paralelo, as plataformas online chinesas atraem consumidoras com ofertas ainda mais baratas, ampliando a pressão sobre as lojas físicas.

A empresa tem buscado novidades de marketing e investido em canal online, com retirada em loja, além de aplicativo de catálogo. Investidores questionam a estratégia de comunicação frente ao avanço do comércio eletrônico.

Posicionamento estratégico da AB Foods

Caso a cisão seja efetivada, a Primark poderia atrair investidores que hoje hesitam por causa da complexa composição do conglomerado. Em abril, a AB Foods deve apresentar resultados semestrais e confirmar se avança com a divisão.

A gestão ressalta que decisões dependerão de avaliação de longo prazo, não de oscilações de ações. O desempenho atual da Primark continua sendo elemento central para definir o rumo do portfólio do grupo.

Sobre a origem e o modelo

Fundada em Dublin em 1969, a Primark segue sob o modelo estoque alto, preço baixo, tradicionalmente validado pela liderança da família Weston. Eoin Tonge atua de forma interina como presidente-executivo, aguardando definição sobre o cargo definitivo.

O portfólio de lojas soma quase 500 unidades, com presença na Europa, nos EUA e no Oriente Médio. No Westfield de Londres, itens simples como camisetas aparecem a preços baixos, reforçando a proposta de custo acessível.

Contexto externo

A economia europeia, com inflação e impostos crescentes, contribui para o ajuste de preços no varejo. Consumidores com menor renda são mais sensíveis ao custo, aumentando a competição entre redes de fast fashion para fidelizar clientes.

Fontes e update

A matéria base foi apurada pela Bloomberg, com informações sobre o andamento da possible cisão e impactos no setor. As informações citam declarações de executivos, analistas e dados de vendas, sem opinião editorial.

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