- A IA pode automatizar grande parte do trabalho de combinar candidatos com empregadores, reduzindo a necessidade de recrutadores externos de grandes empresas.
- Empresas passam a trazer partes do processo de contratação para dentro da própria organização, aumentando a pressão sobre margens e preços conforme a concorrência se intensifica.
- O setor enfrenta efeito de um mercado com menos contratações após o boom pós-pandemia, elevando o desafio de manter volumes e taxas de colocação.
- Executivos veem a IA como complemento, destacando ganhos de eficiência; plataformas como Upwork já mostram maior lucratividade por funcionário, enquanto questiona-se se a automação poderá eliminar ou criar empregos.
- Recrutadores tradicionais devem lidar com competição de tecnologia, possíveis cortes de custos e queda de volumes, com clientes buscando tarifas menores.
A inteligência artificial avança sobre o setor de recrutamento, reduzindo a dependência de grandes agências e elevando o debate sobre o papel humano nas seleções. Técnicas de triagem, entrevistas e matching com IA começam a automatizar grande parte do trabalho que hoje envolve recrutadores externos.
Empregadores já conseguem examinar currículos, classificar candidatos e realizar entrevistas iniciais sem depender de empresas como Robert Half, ManpowerGroup e Randstad. Com a melhoria da tecnologia e a redução de custos, há tendência de internalizar etapas do processo seletivo.
Essa mudança ocorre em meio a um mercado de contratações pós-pandemia que vive uma fase de demanda menor, pressionando margens e receitas. A concorrência por contratos aumenta, ampliando o risco de cortes de custos, incluindo demissões de recrutadores.
Correspondência de IA
Especialistas apontam que a IA pode transformar a forma de fazer match entre talento e vaga, favorecendo plataformas de recrutamento orientadas por IA com modelos mais ágeis e diretos. O segmento tem crescido de forma mais enxuta e rápida, oferecendo alternativas aos recrutadores tradicionais.
A Upwork, que usa IA para alinhar freelancers a demandantes, encerrou 2024 com cerca de 600 funcionários próprios e 2.220 prestadores, gerando US$ 595 milhões de lucro bruto. Em comparação, a Robert Half registrou US$ 2,25 bilhões de lucro bruto com cerca de 14.700 funcionários.
Analistas destacam que a IA não substitui totalmente a atuação humana, especialmente em clientes de menor porte, mas reforça a pressão sobre margens. A Microsoft, proprietária do LinkedIn, é citada como exemplo de concorrência com recursos para plataformas de contratação com IA.
O setor também observa impactos variáveis: algumas funções podem sofrer maior automação, enquanto outras, envolvendo julgamento humano e relacionamento, resistem mais. A discussão sobre emprego e criação de vagas ainda não tem um consenso claro.
Perspectivas de mercado
Recrutadores menores tendem a adotar ferramentas de IA com mais intensidade por serem mais econômicas. Clientes podem exigir tarifas menores à medida que a automação reduz o tempo de processo. A disrupção, segundo especialistas, ainda não mostrou efeito estrutural contundente sobre o emprego.
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