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Leite em 2026 sob pressão de oferta e produção recorde de 38 bi litros

2026 começa com oferta acima da demanda, produção recorde e importações elevadas pressionando preços ao produtor

Ordenha de vacas leiteiras
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  • Em 2025 a produção de leite no Brasil atingiu 38,3 bilhões de litros, alta de 7,2% em relação a 2024, gerando sobreoferta.
  • Importações permaneceram elevadas, resultando em déficit próximo de 2 bilhões de litros equivalentes, com predominância de leite em pó.
  • Preços ao produtor recuaram, com preço médio na porteira em dezembro de 2025 de R$ 1,99 por litro, queda de 22,6% em 12 meses; no varejo, a cesta de lácteos caiu 3,62%.
  • Para 2026, o PIB deve crescer cerca de 1,8%, com demanda doméstica abaixo de 2% e maior cautela econômica; o ICPLeite subiu 3,0% até dezembro, ajudando a amortecer parte da queda de preços.
  • A produção é heterogênea, com cerca de 513 mil produtores; há polos de alta produtividade (ex.: Castro, no Paraná), mas grande parte opera em baixa escala, exigindo disciplina de oferta e eficiência para manter margens.

O mercado brasileiro de leite começou 2026 sob pressão de uma oferta elevada, resultado de uma produção recorde em 2025 e de importações ainda significativas. Em 2025, a produção atingiu 38,3 bilhões de litros, alta de 7,2% frente a 2024, segundo o Centro de Inteligência do Leite (Cileite), da Embrapa.

O excedente interno ampliou a disponibilidade de leche e ajudou a comprimir preços aos produtores. As importações, embora 4,2% menores que em 2024, contribuíram para um déficit na balança comercial próximo de 2 bilhões de litros equivalentes, com peso do leite em pó. Em dezembro, o preço médio na porteira caiu para R$ 1,99 por litro, queda de 22,6% em 12 meses.

A cadeia de laticínios também registrou recuo no varejo, com a cesta de lácteos recuando 3,62%. A combinação de demanda doméstica aquém do ritmo de expansão e oferta robusta explica o cenário, segundo o Cileite.

Panorama 2025

No ano passado, o ritmo de crescimento do PIB para 2026 é estimado em 1,8%, com juros elevados e incerteza fiscal. A demanda interna cresceu menos de 2%, dificultando acompanhar o salto de produção. O primeiro semestre manteve resultados mais favoráveis; no entanto, o segundo semestre mostrou maior compressão de margens.

O Índice de Custo de Produção de Leite (ICPLeite/Embrapa) subiu 3,0% até dezembro, abaixo da inflação de 4,3%. Milho e soja estáveis contribuíram para margens menos ácidas, ainda que restritas para sistemas menos eficientes.

Cenário internacional

Globalmente, a oferta permanece elevada, reflexo de expansão em países do Mercosul. Incertezas geopolíticas e margens apertadas limitam o crescimento em 2026. Para Samuel Oliveira, da Embrapa Gado de Leite, movimentos pontuais nos leilões da Global Dairy Trade não indicam reversão estrutural.

Desempenho regional e desafios

Estima-se que o Brasil tenha cerca de 513 mil produtores, com realidades técnicas diversas, o que reforça a heterogeneidade produtiva. Regiões de alta produtividade existem, como Castro (PR), mas boa parte da produção ainda opera em baixa escala e com custos menos diluídos.

Para 2026, o setor deve passar por ajustes. A entressafra pode oferecer algum suporte às cotações, mas a recuperação dependerá da disciplina na oferta, do comportamento das importações e da evolução da renda interna. A eficiência produtiva continua sendo condição de manutenção no mercado.

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