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Executivo que ajudou a construir a máquina de anúncios da Meta tenta expô-la

Ex-executivo da Meta afirma que a cultura priorizava crescimento e lucro em detrimento da segurança, alimentando engajamento e possíveis danos aos usuários

Image: Cath Virginia / The Verge, Getty Images
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  • Brian Boland, ex-vice-presidente de parcerias da Meta, disse em júri na Califórnia que a empresa incentivava atrair mais usuários, inclusive adolescentes, para Facebook e Instagram, priorizando crescimento e engajamento.
  • Afirmou que Mark Zuckerberg promovia uma cultura de crescimento e lucro acima do bem-estar dos usuários, destacando o slogan interno “move fast and break things” como ethos da empresa.
  • Alega que, diante de questões de segurança, a resposta era gerenciar a imprensa em vez de entender possíveis danos, e que a cultura se tornou mais fechada com o tempo.
  • Explicou o funcionamento de algoritmos da Meta, dizendo que não existe “algoritmo moral” e que as decisões visavam maximizar engajamento, com pouca ênfase em danos potenciais.
  • Boland deixou a Meta com mais de R$ 10 milhões em ações não vestidas e afirmou que saiu sob pressão, considerando a empresa extremamente poderosa.

Brian Boland testemunhou nesta quinta-feira em uma audiência na Califórnia sobre a forma como a Meta desenha seus sistemas de anúncios e engajamento. Ele afirma ter passado de confiança plena na empresa para crítica pública, destacando incentivos à atração de usuários, inclusive adolescentes, apesar dos riscos.

O ex-diretor de parcerias da Meta detalhou, em depoimento, a cultura de foco no crescimento e na rentabilidade. Segundo Boland, Mark Zuckerberg definia repetidamente prioridades que privilegiavam engajamento e expansão, sem dar o mesmo peso a eventuais impactos negativos para os usuários.

Boland atuou na Meta por 11 anos e deixou a empresa em 2020. Ele descreveu a antiga máxima interna de “move fast and break things” como um ethos corporativo que valorizava a inovação rápida, às vezes sem considerar consequências. Também mencionou momentos de cobrança por resultados de crescimento acima de tudo.

Contexto do depoimento

Boland explicou como o algoritmo de publicidade funciona e as decisões que moldaram seu desenvolvimento. Ele afirmou que os algoritmos tendem a perseguir metas de engajamento, com pouca margem para avaliação moral, segundo sua avaliação.

O depoimento ocorre em meio a um processo que analisa se a Meta e o YouTube são responsáveis por danos à saúde mental de uma jovem. Zuckerberg, na juízo, ressaltou que a missão da Meta envolve equilíbrio entre segurança e liberdade de expressão, não apenas lucro.

Boland relatou que, ao longo do tempo, houve mudanças culturais internas. Enquanto o CEO anterior defendia diversidade de opiniões, o ex-funcionário sustenta que a cultura evoluiu para um ambiente mais fechado, com menos espaço para questionamentos sobre impactos sociais dos produtos.

Detalhes sobre a saída da empresa

Segundo Boland, ao deixar a Meta, ele abriu mão de mais de 10 milhões de dólares em ações não vestidas, embora tenha tido ganhos significativos durante sua passagem pela empresa. Ele afirmou que falar publicamente sobre o assunto continua sendo desconfortável, dada a conexão com uma potência tecnológica de grande alcance.

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