- a China planeja fechar cerca de 20 acordos de livre comércio para moldar uma ordem multilateral favorável e reduzir a influência dos EUA, aproveitando as tarifas de Donald Trump.
- o acordo com o Canadá, que reduz tarifas sobre veículos elétricos chineses, é citado como exemplo de como Pequim pretende conter o espaço de manobra dos EUA.
- pesquisas apoiadas por instituições chinesas sugerem que o país quer evitar a “desacoplamento” e buscar maior integração em blocos como UE, CPTPP e GCC.
- diplomatas chineses aceleram conversas bilaterais e regionais, incluindo possíveis acordos com a União Europeia e países africanos, além de promover soluções digitais e aduaneiras baseadas em IA.
- embora haja grandes desequilíbrios comerciais — estimados em US$ 1,2 trilhão, com riscos de influxo de mercadorias de baixo custo e demanda interna fraca — autoridades afirmam que fortalecer a demanda interna é prioridade, mirando a próxima fase de planejamento.
China avança com 20 acordos de livre comércio para reduzir a dependência dos EUA, explorando incertezas sobre tarifas impostas por Donald Trump. A estratégia visa manter a economia chinesa de cerca de US$ 19 trilhões estável diante de pressões americanas futuras.
Análise da Reuters revela que Beijing busca inserir a China em blocos econômicos globais, como UE, Estados do Golfo e um acordo transpacífico, mesmo com dúvidas sobre demanda interna, acesso de mercado e superprodução. O objetivo é criar redundâncias comerciais.
Um acordo com o Canadá, durante a visita de Mark Carney a Beijing em janeiro, reduziu tarifas sobre veículos elétricos chineses. Fontes próximas ao tema dizem que esse movimento é o primeiro de uma série para enfraquecer a alavanca americana.
A revisão de mais de 2 mil textos de estratégia comercial, apoiados pela CASS e pela Universidade de Pequim, indica que há consenso entre assessores de políticas em aceitar mudanças estruturais dolorosas para assegurar liderança global de longo prazo.
Diplomatas ocidentais alertam que, se bem-sucedida, a China pode moldar uma nova ordem multilateral sob sua influência, deslocando a dependência de Washington no comércio mundial. Mas governos têm cautela sobre riscos de desequilíbrio.
O cenário mostra movimentação para tratar negociações aceleradas com vários parceiros, incluindo países da Ásia, Europa e Américas. Ministérios de Comércio e diplomatas sinalizam abertura para acordos bilaterais e regionais.
Em 2025, a China intensificou iniciativas com a adesão à CPTPP e outras parcerias regionais. O foco atual é incorporar sistemas alfandários e infraestrutura digital com uso de IA para reduzir prazos de entrega e facilitar o comércio transfronteiriço.
Paralelamente, autoridades chinesas promovem políticas de isenção de tarifas com países africanos e projetos de cooperação em serviços, buscando ampliar o acesso de produtos chineses ao exterior e manter o impulso da demanda doméstica.
Críticos apontam que o superávit comercial chinês pode pressionar setores de manufatura de parceiros. Analistas da Europa avaliam impactos e discutem estratégias para evitar dependência excessiva de importações.
Wang Wentao, ministro do Comércio, ressalta a prioridade de integrar a China a acordos comerciais que incluam comércio de serviços. Diplomatas europeus e norte-americanos observam com cautela o avanço de negociações com China e seus efeitos na concorrência global.
Blocos em construção
Nessa fase, Pequim intensifica encontros com parceiros potenciais enquanto promove infraestrutura digital e padrões globais de comércio, em linha com as diretrizes dos relatórios internos. O objetivo é promover a “anti-desacoplamento” como foco estratégico.
Lições aprendidas
Analistas destacam que a China busca entender como usar instituições internacionais para contornar pressões externas. A estratégia inclui ampliar participação em acordos regionais e padronizar padrões de propriedade intelectual.
Desafios e dúvidas
Especialistas ressaltam que a demanda doméstica fraca e o volume de importações podem atrapalhar a consolidação de novos blocos. Além disso, alguns governos precisam equilibrar interesses nacionais e laços com os EUA.
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