- Airbus sugeriu dividir o programa FCAS em duas aeronaves de combate separadas, em meio à disputa sobre quem lidera o projeto de €100 bilhões.
- O FCAS envolve drones autônomos e uma “nuvem de comunicações de combate”, além dos jatos, com participação de Alemanha, Espanha e França.
- O CEO da Airbus, Guillaume Faury, afirmou que o impasse não deve comprometer toda a capacidade europeia e que, se for pedido pelos clientes, a empresa apoiaria uma solução de duas aeronaves.
- O chanceler alemão, Friedrich Merz, sinalizou que o avião de combate planejado não atende às necessidades da Alemanha; Alemanha não precisa de caças com capacidade nuclear, enquanto a França sim.
- Está previsto decisão futura sobre seguir para a próxima etapa do programa ou abandonar o jato e seguir apenas com os demais pilares do FCAS.
A Airbus sugeriu dividir o programa europeu de caças do futuro em duas aeronaves distintas, em meio a uma disputa entre fabricantes sobre quem lidera o projeto de cerca de €100 bilhões. A proposta vem do braço de defesa da empresa, que representa Alemanha e Espanha, em parceria com a Dassault Aviation, da França.
A disputa envolve o desenvolvimento da parte aeronáutica do FCAS, um programa que também engloba drones autônomos e a chamada nuvem de comunicações de combate. A proposta visa contornar o impasse entre as empresas e manter o cronograma do projeto.
O CEO da Airbus, Guillaume Faury, afirmou que o bloqueio não deve colocar em risco a capacidade tecnológica europeia. Ele disse que, se for necessário, a empresa apoiaria uma solução com duas aeronaves e manteria posição de liderança em uma reorganização do FCAS, com cooperação europeia.
Nesta semana, o chanceler alemão, Friedrich Merz, indicou que o caça previsto pode não atender às necessidades da Alemanha. Segundo ele, o Exército alemão não exige uma aeronave com capacidade nuclear, ao passo que a França exige, destacando que se trata de uma questão técnica entre os dois países, não política.
O FCAS, anunciado em 2017, tem encontrado entraves por disputas de poder entre Airbus e Dassault, além de divergências sobre o que governos francês e alemão desejam do projeto. Alemanha, França e Espanha devem decidir em breve se avançam para a próxima fase ou se o jet é substituído por outros componentes do programa.
Faury ressaltou que outros pilares do FCAS estão avançando bem e que o programa como um todo continua fazendo sentido. Disse ainda que, se houver caminho com duas aeronaves, pode abrir espaço para novos parceiros, desde que os clientes escolham com quem trabalhar.
A Airbus divulgou que o lucro anual foi de €5,2 bilhões, com alta de 23%. A empresa também reduziu metas de produção de jatos comerciais devido a problemas na cadeia de fornecimento de motores Pratt & Whitney, com impactos na demanda por motores e no ritmo de entregas.
A fabricante enfrenta dificuldades com o A320, incluindo falhas em painéis de fuselagem que levaram à inspeção de centenas de aeronaves. As entregas de janeiro caíram para o nível mais baixo desde 2020, refletindo as inspeções e contribuindo para que a Boeing tenha registrado 600 jatos entregues quase sem precedentes há anos.
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