- A liquidação extrajudicial do Banco Pleno foi decretada pelo Banco Central, nesta quarta-feira (18), encerrando uma trajetória de mudanças de controle e instabilidade operacional.
- O banco nasceu do Banco Indusval & Partners (BI&P), fundado em 1967, passando por reorganizações até adotar o nome Banco Voiter em 2019, com foco em crédito corporativo e agronegócio.
- Em 2023 houve tentativa de venda para Capital Consig por aporte de 100 milhões de reais; no início de 2024 houve negociações com Daniel Vorcaro e, em julho de 2025, o controle foi transferido para Augusto Ferreira Lima, abrindo caminho para o Banco Pleno.
- Após a venda ao Master, houve disputa judicial envolvendo a família Rezende Barbosa e uma debênture de 400 milhões de reais; o processo, porém, foi encerrado com acordo homologado no início de novembro, antes da intervenção do BC.
- O BC apontou problemas de liquidez e descumprimento de normas, destacando que o Pleno dependia principalmente de captações por depósitos a prazo (CDBs) e possuía passivos de cerca de 6,8 bilhões de reais em setembro, com ativos limitados.
O Banco Pleno teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira, 18, encerrando uma trajetória marcada por rebatismos, tentativas de reposicionamento e crises operacionais. A instituição passou por várias mudanças de controle antes da intervenção.
A origem remete ao Banco Indusval & Partners (BI&P), criado em 1967 e voltado ao crédito corporativo e ao agronegócio. Diante de dificuldades operacionais e resultados pressionados, o banco passou por diversas reorganizações societárias ao longo dos anos.
Em 2019, sob o controle de Roberto de Rezende Barbosa, passou a se chamar Banco Voiter para simplificar a estrutura e apostar em soluções digitais, mas não conseguiu estabilizar o negócio. Os controladores começaram a buscar potenciais compradores.
Tentativas de venda e a consolidação
Em 2023, houve negociação para venda à Capital Consig, com aporte de R$ 100 milhões prometidos e a transferência de controle, mas o acordo não avançou. Em 2024, surgiram negociações com Daniel Vorcaro, sem valores divulgados, prevendo a incorporação de áreas de atacado, corretora e gestoras pelo Master.
Pouco tempo depois, em julho de 2025, o BC autorizou a transferência de controle para Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, criando formalmente o Banco Pleno. A família Rezende Barbosa entrou com ações contra o Master e controladores, envolvendo uma debênture de R$ 400 milhões.
Questões de liquidez e justificativa regulatória
Segundo os vendedores, a primeira parcela de R$ 100 milhões não foi paga e, mesmo com aditivo para R$ 200 milhões em duas parcelas, os valores não saíram. O Master contestou, alegando pressões de credores para antecipação do contrato; a ação na Justiça em São Paulo foi desistida após acordo homologado no início de novembro.
A aprovação da operação ficou condicionada a um plano para enfrentar problemas de liquidez. Mesmo assim, o Pleno dependia fortemente de captação por depósitos a prazo, principalmente CDBs, como fonte de financiamento. Dados do BC indicam passivos próximos de R$ 6,8 bilhões em setembro, com a maior parte em CDBs.
A instituição mantinha participação reduzida no sistema financeiro, representando cerca de 0,04% dos ativos do setor e aproximadamente 0,05% da captação total. O BC apontou agravamento da situação econômico-financeira e descumprimento de normas como antecedentes da decisão de liquidação.
A autoridade ressaltou que a liquidação extrajudicial foi motivada pela deterioração da liquidez, pelo não cumprimento de normas regulatórias e pelas determinações do Banco Central do Brasil. A medida visa preservar a estabilidade do sistema financeiro.
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