- Governo confirmou alta de 4,41% nas mensalidades de seguro de saúde privado a partir de abril, a maior desde quase uma década.
- Com custos de vida em alta e juros já subindo, há dúvidas sobre se manter o seguro vale mais pela proteção ou pelo custo adicional.
- Críticos destacam falhas do sistema, com incentivos como a cobrança adicional de imposto (Medicare levy surcharge), cobertura vitalícia e o regime de subsídio, que não foram atualizados há mais de dez anos.
- Economistas apontam que esses incentivos não reduzem o crescimento dos prêmios e que há necessidade de mecanismos regulatórios eficazes para conter a inflação de preços.
- Especialistas destacam que grande parte do valor dos prêmios é gasta com custos administrativos, sugerindo possíveis revisões na política de saúde privada e no uso de recursos públicos.
O governo aprovou um reajuste de 4,41% nas mensalidades de seguro de saúde privado a partir de abril, o maior já registrado em quase uma década. O aumento ocorre em meio a pressões de custo de vida e a uma alta de juros anunciada em fevereiro, ampliando a preocupação de consumidores sobre o custo-benefício do seguro privado.
Pesquisadores e organizações de defesa do consumidor sinalizam dúvidas sobre o valor oferecido pelos planos diante do aumento de preços. Elizabeth Deveny, executiva-chefe do Consumers Health Forum, afirma que, se os prêmios sobem mais rápido que salários e inflação, os consumidores questionam a qualidade, a cobertura e a previsibilidade das contas.
Há quase dez anos, investigações da imprensa destacaram falhas no sistema de seguro privado, como complexidade, opacidade e incentivos que levavam a coberturas pouco úteis para muitos. Ao longo do tempo, o governo buscou tornar os planos mais acessíveis, com rótulos de ouro, prata, bronze e básico, mas os resultados têm sido contestados.
Especialistas apontam falhas persistentes nos incentivos que promovem a adesão ao seguro, sem necessariamente entregar mais valor. O professor Francesco Paolucci, da Newcastle Business School, destaca que medidas como o Self de Medicare e o subsídio de prêmio não foram reformadas há mais de uma década, deixando a dinâmica inalterada.
Entre esses incentivos estão a sobretaxa de contribuição ao Medicare, a cobertura de vida útil e o subsídio de seguro privado, que variam conforme idade e renda. Paolucci ressalta que o objetivo principal dessas medidas costuma estimular a participação, não assegurar benefícios proporcionais à necessidade de saúde.
A despeito de essas políticas, o custo dos prêmios continua a crescer. Paolucci critica a ausência de mecanismos regulatórios eficazes para conter a inflação dos prêmios, apontando a necessidade de reformas para impedir aumentos contínuos sem ganho claro para o usuário.
Yuting Zhang, da University of Melbourne, argumenta que o subsídio de seguro privado pesa bilhões ao orçamento federal anualmente. Mesmo que parte do gasto seja justificado pela redução da pressão sobre hospitais públicos, a prática nem sempre resulta em maior eficiência.
Zhang sugere que os recursos poderiam ser melhor direcionados a faixas de renda mais baixa ou realocados para o sistema de saúde como um todo. Ela observa ainda que a eficiência é questionável, dado que cerca de 85% dos prêmios são pagos em benefícios, com parte significativa indo a custos administrativos.
Alguns especialistas chegam a defender a ideia de extinguir o seguro privado e reforçar o financiamento universal do Medicare. Embora Paolucci e Zhang não a vejam como opção realista, Deveny afirma que é legítimo debater se é possível manter o modelo atual com melhorias ou se uma reformulação mais ampla é necessária.
Ela também ressalta que a confiança do público no sistema caiu, e que, se o seguro existir, ele deve reduzir riscos e oferecer segurança aos pacientes, sem criar uma segunda camada de incerteza. Enquanto isso, o debate sobre a viabilidade do modelo privado continua.
Fontes citadas incluem análises de especialistas em economia da saúde e reportagens de pesquisa sobre o tema. As informações destacam a necessidade de avaliar políticas de incentivo, a eficácia dos subsídios e o impacto real dos prêmios sobre as famílias.
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