- O Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, ampliando o efeito Master sobre o FGC.
- O Pleno tem cerca de 160 mil credores com depósitos elegíveis a até R$ 250 mil por CPF; o pagamento total deve retirar cerca de R$ 4,9 bilhões do FGC.
- O FGC já havia sido pressionado por desembolsos de intervenções anteriores, com Will Bank e Banco Master somando R$ 46,9 bilhões, equivalente a quase um terço da liquidez de aproximadamente R$ 121 bilhões em jun/2025.
- Moody’s considera o desgaste administrável, estimando déficit de liquidez de cerca de R$ 55 bilhões, o que representaria about 2,3% do estoque de ativos líquidos de alta qualidade dos cinco maiores bancos.
- Para recompor liquidez, o FGC deve usar mecanismos como antecipação de contribuições e sobretaxa temporária sobre as contribuições ordinárias, até restabelecer o nível-alvo.
Nessa quarta-feira, 18 de fevereiro, o Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, ligadas a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. A medida amplia o efeito Master sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
O Pleno soma cerca de 160 mil credores com depósitos protegidos até 250 mil por CPF. O pagamento total aos interessados deve retirar cerca de 4,9 bilhões do FGC. A decisão ocorre em meio a pressões anteriores sobre a capacidade de absorção de choques do sistema.
O FGC já enfrentava saídas significativas com liquidações anteriores do Banco Master e do Will Bank. Juntas, as garantias de deponentes somam 46,9 bilhões, equivalente a aproximadamente um terço da liquidez disponível do fundo em junho de 2025, de cerca de 121 bilhões.
Os recursos retirados impactarão as reservas do FGC, a liquidez e a capacidade de o sistema bancário absorver novos choques. Bancos associados precisarão recompor o volume de garantias para manter níveis saudáveis de operação.
Moody’s avalia que o ajuste é administrável para as instituições, embora haja déficit de liquidez estimado em 55 bilhões de reais entre os bancos participantes. Esse montante representa cerca de 2,3% do estoque de ativos líquidos de alta qualidade do sistema, conforme a agência.
A estimativa de impacto é de efeitos na rentabilidade, com a taxa Selic em 15% e a redução de liquidez gerando mais de 8 bilhões de reais em receita líquida de juros ao ano, no cenário hipotético de referência para 2025.
Se o nível de liquidez do FGC cair abaixo de 2,5% dos depósitos segurados, o conselho pode acionar mecanismos legais para restabelecer a liquidez, incluindo antecipação de contribuições e sobretaxas temporárias sobre a contribuição de 0,01% mensal.
Panorama e impactos
A liquidação do Banco Pleno ocorreu por deterioração da situação econômico-financeira e descumprimento de normas regulatórias. O BC também tornou indisponíveis os bens de controladores e administradores da instituição, e o FGC limitou pagamentos ao teto de 250 mil por CPF e a até 1 milhão por CPF/CNPJ, em quatro anos.
Bancos maiores do sistema, como Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander, Caixa e BTG Pactual, respondem por cerca de 75% dos depósitos elegíveis ao seguro, distribuindo o peso do impacto entre as instituições.
Sobre o Banco Pleno
O BC classificou o conglomerado como de porte pequeno, enquadrado no segmento S4 da regulação prudencial, liderado pelo Banco Pleno. O FGC informou que o Pleno não integra o conglomerado Master, e que o pagamento aos credores seguirá até o limite regulamentar.
Entre na conversa da comunidade