- Famílias australianas passaram a comprar bens duráveis, como cafeteiras e mobiliário, após reembolso de imposto e queda nas taxas de hipoteca, o que ajudou a acender a inflação.
- Resultados de empresas apontaram desempenho positivo na Austrália: Breville teve crescimento de receita impulsionado por máquinas de café; Nick Scali mostrou alta de 13% nas vendas; Temple & Webster, 20% de receita, com margens pressionadas.
- O Banco Central da Austrália elevou a taxa de juros, citando habitação, bens duráveis e serviços de mercado como fatores na inflação subindo.
- O endividamento das famílias permanece elevado, mas muitos continuam dispostos a gastar enquanto houver emprego estável e alívio com cortes de juros anteriores.
- Analistas destacam que a aceleração de compras de duráveis indica confiança renovada, embora o comportamento do consumo permaneça incerto diante de pressões de custo de vida.
Foi mostrado que australianos compraram bens duráveis após recebimento de restituição de imposto ou redução da hipoteca, impulsionando gastos. A prática ocorreu em meio a anos de custos elevados de vida e fins de 2024 e início de 2025, quando o consumo ganhou fôlego.
As compras incluem itens como cafeteiras, móveis e eletrodomésticos de uso prolongado. Relatórios de ganhos de empresas neste ciclo indicam demanda consistente, com diversidade de modelos entre linhas acessíveis e de maior preço.
A elevação de gastos ocorreu em um contexto de inflação associada a moradia, bens duráveis e serviços de mercado, segundo a governadora do Banco Central da Austrália, Michele Bullock. O aumento de preços nesses setores ajudou a sustentar a pressão inflacionária.
Por que isso importa? A maior demanda por bens duráveis foi citada como fator relevante para a decisão do Conselho de manter ou elevar as taxas de juros, diante de sinais de inflação mais persistente do que o esperado.
Especialistas apontam que, mesmo com dívida elevada das famílias, há evidências de que a confiança voltou após cortes de juros anteriores e alívio inflacionário. Estudo do Commonwealth Bank aponta aumento de 0,5% nas despesas em janeiro, entre 7 milhões de clientes analisados.
Entre os itens mais comprados, destacam-se itens de varejo de tecnologia, móveis e equipamentos para casa, além de roupas e artigos de hardware. Eventos como o Australian Open contribuíram para o incremento de gastos com lazer.
Análises indicam que jovens sem hipoteca voltaram a buscar alternativas para manter o consumo, mesmo que envolva maior endividamento. Pesquisas ressaltam que o comportamento varia por faixa etária, com os maiores gastos concentrados em usuários de mais de 55 anos.
Quando o Banco Central elevou o tom da política monetária neste mês, citou a moradia e os bens duráveis como catalisadores da inflação subjacente. O banco ressaltou ainda restrições à capacidade da economia de atender à demanda, o que pressiona preços.
O cenário coloca em foco se o consumo de bens duráveis continuará a sustentar a inflação ou se a melhoria da confiança do consumidor reduzirá os gastos. A temporada de resultados mostrou sinais mistos sobre o impulso do consumo.
Em resposta aos resultados, a imprensa econômica observou movimentos no mercado de ações: a ação da Nick Scali caiu mais de 15% após divulgação de resultados fracos de janeiro, sugerindo arrefecimento do ritmo do consumo de mobiliário de médio custo.
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