- A Raízen registrou baixas contábeis totais de R$ 11 bilhões, em meio a dívida crescente que ameaça a continuidade das operações.
- No fim do ano passado, a dívida líquida atingiu R$ 55,3 bilhões, alta de 43% ante o ano anterior, elevando a alavancagem para 5,3 vezes o Ebitda.
- As negociações entre Shell e Cosan para captar recursos não têm conclusão definida; empresas estão buscando soluções para reorganizar o capital.
- A nota de crédito da Raízen foi rebaixada para junk pela Fitch Ratings e pela S&P Global Ratings, agravando a pressão de liquidez.
- A empresa busca entre R$ 25 e R$ 30 bilhões em financiamento, com planos de desinvestimento, incluindo venda de ativos no Brasil e na Argentina, para reduzir a alavancagem e acelerar a recuperação.
A Raízen registrou baixas contábeis de 11 bilhões de reais em um momento de dívida elevada que eleva o risco de continuidade das operações. A empresa aponta itens como ágio sobre rentabilidade futura ao buscar novos recursos, diante de negociações entre Shell e Cosan que ainda não tiveram conclusão.
Durante a teleconferência de resultados, o CEO Nelson Gomes apontou que a estrutura de capital chegou a um ponto de inflexão. Ele destacou que o plano de transformação operacional não foi suficiente para mitigar o desequilíbrio financeiro.
A companhia encerrou o ano com dívida líquida de 55,3 bilhões de reais, alta de 43% frente ao ano anterior, levando a alavancagem a 5,3 vezes o EBITDA, ante 3 vezes.
Situação financeira e perspectivas
Analistas do Citi destacaram que pagamentos de juros elevados pioram o risco de continuidade operacional, embora a Raízen tenha indicado avanços no processo de desalavancagem. A deterioração da nota de crédito foi ratificada pela Fitch e pela S&P, entrando no nível de junk.
No fim de semana, o mercado de dívida respondeu com queda nos recebíveis; no entanto, as bonds subiram parcialmente após a teleconferência, com ganhos em dólares de até 8,5 pontos básicos para vencimento em 2037.
Executivos evitaram detalhar planos de capitalização, mas a Raízen afirmou que os controladores se comprometeram a contribuir com capital para uma solução estrutural. A empresa não descartou venda de ativos como parte da estratégia.
Lorival Nogueira Luz Jr, diretor financeiro, disse que a meta de alavancagem está entre 2 e 2,5 vezes o EBITDA, com foco na estrutura de capital e na desalavancagem. A gestão também sinalizou possíveis desinvestimentos para recompor caixa.
A empresa já trabalha, segundo fontes, com necessidade de entre 25 e 30 bilhões de reais para reequilibrar as finanças. Há expectativa de desinvestimentos, incluindo ativos no portfólio competitivo, para sustentar operações.
Um desfecho relevante envolve a venda de uma refinaria e de centenas de postos de gasolina na Argentina, com potencial superior a um bilhão de dólares. O negócio é apontado como crucial para fechar o ciclo de desinvestimentos até o final de 2026.
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