- Líderes da União Europeia se reúnem no castelo Alden Biesen, no leste da Bélgica, para discutir como competir com a China e com os Estados Unidos em um cenário de ordem mundial em erosão.
- A região tem desempenho de crescimento abaixo do dos Estados Unidos, com produtividade e inovação europeias, especialmente em IA, abaixo do esperado; há preocupações sobre tarifas e restrições chinesas a minerais críticos.
- O presidente do Conselho Europeu, António Costa, vai receber os chefes de Estado para um retiro de planejamento; ex-primeiros-ministros Mario Draghi e Enrico Letta foram convidados a apresentar visões.
- Analistas avaliam-se se as propostas de Draghi, já adotadas pela Comissão Europeia em áreas de financiamento, defesa e regulação, trarão mudanças reais, já que poucos itens foram implementados.
- Macron defende uma estratégia Made in Europe com maior endividamento comum e conteúdo europeu mínimo, enquanto a Alemanha prioriza produtividade e acordos comerciais, havendo divergências entre os Estados-membros.
EU se reúne em castelo na Bélgica para discutir como competir com EUA e China
Líderes da União Europeia se reúnem nesta quinta-feira em um castelo da Bélgica para definir estratégias que fortaleçam a competitividade econômica frente a um China cada vez mais influente e a um Estados Unidos em fase de tensões comerciais, em meio ao enfraquecimento da ordem mundial baseada em regras.
A prioridade é ampliar riqueza para financiar descarbonização, digitalização e defesa, diante de desafios como uma recuperação de produtividade abaixo da dos EUA. A reunião ocorre no castelo Alden Biesen, no leste da Bélgica, em formato de retiro.
Antonio Costa, presidente do Conselho Europeu, conduz o encontro que também recebe ex-primeiros-ministros Mario Draghi e Enrico Letta, convidados para casa. Draghi já é visto como referência para propostas sobre competitividade e mercado único.
Desafios e propostas
Analistas destacam ceticismo de que o encontro produza apenas declarações. Draghi já elaborou um conjunto de recomendações, com propostas da Comissão sobre financiamento, defesa e regulação desde 2025. O grupo de estudo de Bruegel aponta implementação lenta até janeiro, com 15% das medidas concluídas.
Letta afirma otimista quanto ao aprofundamento do mercado único, citando avanços em serviços e mobilidade de capitais. Ele defende prazo para concluir o mercado único até 2028, como resposta ao peso de pressões externas oriundas de China, Rússia e EUA.
O eixo francês ganha destaque: Emmanuel Macron defende mais convergência orçamentária da UE e uma estratégia Made in Europe para exigir conteúdo local em compras públicas. Alemanha, por sua vez, prioriza produtividade e acordos comerciais, como com Mercosul, embora haja resistência francesa.
Antes do retiro, a cúpula industrial em Antuérpia reúne líderes empresariais para esclarecer demandas de negócios europeus. A agenda conjunta enfatiza aumento de eficiência, menos burocracia e flexibilidade regulatória como pilares.
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