- A Polícia Federal enviou à Justiça Federal um relatório que aponta possível aviso prévio e vazamento de informações a alvos da operação que investiga aplicações da Amprev no Banco Master.
- O foco é Jocildo Silva Lemos, então diretor-presidente da Amprev, que deixou a residência antes da chegada dos agentes e entregou um celular com poucos dias de uso e sem histórico de comunicações.
- Lemos pediu exoneração do cargo e afirmou manter compromisso com a Justiça e com a verdade dos fatos.
- A PF apura se houve gestão temerária ou fraude nas aplicações de aproximadamente R$ 400 milhões no Master, decisão tomada em julho de 2024 e não coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos.
- O caso envolve o entorno político de Davi Alcolumbre; o senador afirma não ter interferido nas decisões da Amprev, e há disputa sobre a instalação de uma CPMI no Congresso para apurar o assunto.
Um relatório da Polícia Federal indica possível vazamento de informações a alvos de uma operação que investiga aplicações da Amprev no Banco Master. O foco é Jocildo Silva Lemos, então diretor-presidente da Amprev indicado ao cargo pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A PF aponta que houve aviso prévio sobre o cumprimento de mandado na residência de Lemos, com informações que podem ter sido veiculadas previamente.
Segundo o relatório, Lemos deixou a casa antes da chegada dos agentes e entregou um celular com poucos dias de uso, sem histórico de comunicação. O ex-diretor-presidente afirmou aos policiais que o celular foi repassado por estar com problemas na tela. Ele então pediu exoneração e afirmou manter compromisso com a instituição e a justiça.
A PF descreve que, durante a operação, Lemos entregou voluntariamente um celular com senha. A análise inicial detectou que o aparelho tinha sido ativado recentemente e não apresentava uso regular. A investigação também apura se houve orientação para repassar o aparelho ou se houve ciência prévia da operação por parte de terceiros.
Testemunhos e desdobramentos
Investigadores avaliam se a identificação de ligações entre o amigo que recebeu o celular e a esposa de Lemos pode indicar conhecimento antecipado da operação. A possibilidade de obstrução de provas é considerada, pois a ciência prévia pode comprometer diligências. Ao mesmo tempo, o Ministério Público do Amapá acompanha o caso para eventual denúncia criminal.
Contrapontos e contexto
A Amprev administra o regime próprio de previdência dos servidores do Amapá, com cerca de 40 mil segurados. A instituição afirmou ser lesada pelo Banco Master e disse ter ações judiciais em curso para ressarcimento. A operação no Master envolve investimentos de 400 milhões de reais aprovados pela Amprev em julho de 2024, em bancos não cobertos pelo FGC.
Relações políticas
Davi Alcolumbre não é investigado e sua assessoria afirmou que não houve interferência nas decisões de investimento da Amprev. A presença do irmão de Alcolumbre, Alberto Alcolumbre, no Conselho Fiscal da Amprev desde 2023 tem acendido o debate político, sem que haja investigação formal dele.
Panorama institucional
A Amprev afirma que os investimentos aprovados representam 4,7% da carteira e que adotou medidas judiciais para ressarcimento. O órgão ressalta que, sob sua gestão, houve crescimento patrimonial de 41% entre 2023 e 2025. O caso também é alvo de pressão política no Congresso, com debate sobre uma possível CPMI para apurar o Master.
Entre na conversa da comunidade