- Supermercados Woolworths, Coles e Aldi ampliam a precificação por unidade de frutas e verduras, o que dificulta comparar preços sem referência por quilo.
- Exemplo em uma loja Woolworths: bananas “kids” vendidas em pacotes de cinco a 3,70 por cacho, com preço por kg de 6,98, quase 99% mais caro do que as bananas cavendish soltas.
- Em cucumbers, o preço por kg varia bastante: pepino libanês a 4,90 por kg e o continental a 2,50 por unidade; ao pesar, o custo por kg pode ser diferente.
- Em Coles e Aldi, itens são amplamente vendidos por unidade e muitos tickets não exibem preço por quilo nem peso nas embalagens; há pouca padronização.
- Especialistas e consumidores pedem que haja transparência constante do preço por quilo, tanto na loja física quanto online; o governo não anunciou reformas até o momento.
Uma investigação do Guardian Australia aponta que supermercados australianos vêm aumentando o uso de preços por unidade para frutas e verduras, sem exibir com frequência o preço por quilo. A prática dificulta a comparação de preços pelos consumidores, que ficam sem referência clara sobre o valor real.
Em uma loja do Woolworths, por exemplo, bananas infantis vêm em maços de cinco unidades por 3,70 dólares. Ao pesar, o maço de 530 g tinha preço por quilo de 6,98 dólares, ou seja, quase o dobro do preço por quilo das bananas cavendish livres ao lado. A discrepância chamou atenção de leitores.
Na mesma linha, pepinos continentes custaram 2,50 dólar cada, enquanto o pepino libanês foi anunciado a 4,90 dólares por quilo. Um pepino continental pesado a 340 g teve preço por quilo de 7,35 dólares, cerca de 50% a mais do que o libanês. A gravidade da variação depende da pesagem real.
As redes Coles e Aldi também expandem o preço por unidade, com pouca ou nenhuma indicação do preço por quilo. Em Melbourne, uma loja Coles mostrou itens de pimentas, folhas e frutos variados vendidos por unidade, com poucos tickets contendo o peso. A marca Coles afirma que essa mescla facilita a escolha rápida do consumidor, equilibrando transparência e simplicidade.
Na prática, itens como couves-frescas aparecem sem peso marcado nas embalagens de plásticos da marca Coles e com etiquetas de preço entre 2,50 e 4,70 dólares. A depender do item, o preço por unidade ou por quilo não é consistente entre as peças. A rede sustenta que a combinação facilita a decisão de compra.
Aldi também utiliza o formato por unidade em diversos itens, com exemplo de melões a 4,99 dólares cada, frente a Melões-d’água a 1,99 dólar por quilo. Pacotes de cinco limões a 5,99 dólares por plural também ilustram a prática; comprar limões soltos pode sair mais caro por unidade. A rede não apresentou comentários.
Os relatos de varejo também apontam inconsistências no comércio online. Em plataformas como Coles e Aldi, há exibidas estimativas de preço por unidade acompanhadas da pesagem média e do preço por quilo, com ajustes ao peso real em alguns itens. Woolworths, por sua vez, fixa o preço por item online, independentemente do peso de cada unidade.
Dario Bulfone, responsável por operações de um comércio local, afirmou que já é possível ajustar o preço com base no peso real, sem complexidade tecnológica. Ele alerta que manter preços fixos por unidade sem reconciliação de peso pode gerar confusão e prejudicar consumidores de forma sistemática.
Especialistas em defesa do consumidor defendem que supermercados devem exibir e cobrar os preços por quilo de forma consistente, tanto nas lojas quanto online, mantendo os preços por unidade apenas como estimativas. O governo federal ainda não apresentou reformas neste ponto, embora o ministro adjunto de concorrência tenha citado esforços para esclarecer informações de preço e facilitar a comparação pelo consumidor.
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