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Relação entre recuperações judiciais e endividamento familiar é investigada

Desemprego cai para 5,6% em 2025, mas recuperações judiciais atingem recorde e famílias seguem endividadas, com Selic a 15% elevando o custo do crédito

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Tiro no pé. A política de juros altos costuma ser eficaz em reduzir a inflação, mas não é eficiente pois obtém esse resultado com grandes estragos – Imagem: Roberto Galhardo/Prefeitura de Natal/RN
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  • Em 4º trimestre de 2025, o Brasil tinha 5.680 empresas em recuperação judicial, alta de 7,5% frente ao trimestre anterior e 24,3% na comparação anual, o maior estoque desde o início do monitoramento.
  • O volume de Dívidas das empresas em recuperação chegou a cerca de 40 bilhões de reais.
  • A Selic manteve-se em 15% ao ano desde junho de 2025, sustentando custo do dinheiro alto e impactos sobre o alongamento de dívidas.
  • A taxa de desemprego ficou em média em 5,6% em 2025, com trimestres próximos de 5,1%, enquanto a massa de rendimento real habitual alcançou 361,7 bilhões de reais, alta de 7,5% frente a 2024.
  • Cerca de 80% das famílias declararam ter algum tipo de dívida, com parcela da renda comprometida em torno de 30%, refletindo endividamento elevado mesmo com emprego robusto.

O Brasil vive um paradoxo macroeconômico: desemprego em queda convivendo com empresas em recuperação judicial e famílias com endividamento alto. A taxa Selic elevada ajuda a explicar esse cenário, segundo dados recentes.

No 4º trimestre de 2025, o Monitor RGF apontou 5.680 empresas em recuperação judicial, alta de 7,5% frente ao trimestre anterior e 24,3% ante o mesmo período de 2024. O estoque é o maior desde o início do monitoramento, em 2023.

O total de dívidas das companhias que entraram em recuperação no 4º trimestre alcançou cerca de 40 bilhões de reais. A combinação de margens comprimidas, custos de dinheiro altos e dificuldade para alongar prazos agrava o estresse financeiro.

Cenário macroeconômico

A recuperação desigual envolve setores produtivo e de serviços, que saíram da pandemia com vendas fracas e fluxo de caixa comprometido. A política monetária restritiva manteve a Selic em 15% ao ano desde junho de 2025.

A taxa de desemprego, conforme a PNAD Contínua do IBGE, ficou em 5,6% em 2025, o menor nível desde o início da série em 2012. A massa de rendimento habitual atingiu 361,7 bilhões de reais, alta de 7,5% ante 2024.

Endividamento das famílias

A fragilidade financeira aparece mesmo com emprego estável: cerca de 80% das famílias declaram possuir algum tipo de dívida, e a proporção da renda comprometida com dívidas se aproxima de 30%. Juros elevados elevam o custo do crédito.

A relação entre oferta de crédito caro e consumo é complexa: juros altos em cartão de crédito, cheque especial e financiamentos pesam sobre as prestações e elevam o risco de inadimplência.

Sob a ótica da política econômica

O paradoxo envolve o papel da Selic como instrumento de controle da inflação em um mercado de trabalho aquecido. Ao mesmo tempo, ela aumenta o custo do endividamento, impactando produção, renda e confiança na economia.

A leitura é de que a alta seletiva da taxa tem efeito duplo: freia inflação, mas aperta o acesso ao crédito para empresas e famílias. A gradualidade de mudanças ainda é tema de debate entre analistas e gestores.

Desdobramentos

Especialistas ressaltam a necessidade de modernizar o parque industrial para enfrentar a competição global sem depender tanto de crédito caro. A melhoria da produtividade pode reduzir a vulnerabilidade a choques monetários.

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