- A renda disponível das famílias de baixa renda no Reino Unido levaria 137 anos para dobrar, segundo estudo da Resolution Foundation.
- O crescimento de ganho real (após impostos e custos com moradia) está parado há duas décadas, afetando cerca de 13 milhões de famílias de baixa renda.
- Entre 2005 e hoje, o ritmo de aumento da renda disponível nessas famílias caiu para 0,5% ao ano, levando a amedidas de que o novo dobramento levaria mais de 130 anos.
- A fundação classifica essas 13 milhões de famílias como “Britânia não reconhecida”, destacando participação maior no mercado de trabalho e cuidado não remunerado, ainda sem recompensas proporcionais.
- Em comparação, ganhos médios brutos anuais de uma família de baixa renda subiram 7.700 pounds desde meados dos anos noventa, para 18.000 pounds hoje, com grande parte desse ganho ocorrendo antes de 2005; além disso, cortes em benefícios para trabalhadores reduziram ainda mais a renda.
A fim de entender as mudanças na renda das famílias de baixa renda no Reino Unido, um think tank apresenta uma leitura alarmante: levaria 137 anos para dobrar o padrão de vida dessas famílias, considerando o ritmo atual de crescimento. A conclusão vem de uma análise publicada pelo Resolution Foundation.
Segundo o estudo, duas décadas de frustração no crescimento das rendas disponíveis deixaram milhões de famílias em situação fragile. O relatório aponta um clima de tensão política caso o ganho salarial não acelere. A organização ressalta que o aumento real não acompanha a inflação.
O Recorte: famílias de baixa renda são definidas pela renda disponível abaixo da mediana nacional, com pelo menos um adulto sem idade para se aposentar. Este grupo soma cerca de 13 milhões de famílias, descritas como a “Britânia sem holofotes”.
A pesquisadora-chefe Ruth Curtice afirma que o trabalho não é garantia de saída da pobreza. Ela aponta que, embora haja maior participação no mercado de trabalho, os ganhos não refletem esse esforço, diante de custos crescentes e dificuldades de saúde e cuidado.
O estudo mostra que o abrandamento salarial desde 2005 é o principal motor da desaceleração. Salários brutos anuais médios de alguém nessa faixa aumentaram 7,7 mil libras desde os anos 90, para 18 mil libras hoje, sendo grande parte desse ganho anterior a 2005. Cortes de benefícios reduziram o poder de compra.
Há ainda desigualdade em encargos fiscais. Em famílias de baixa renda, impostos representam cerca de 12% da renda, contra 31% para as mais ricas. O imposto municipal se destaca: as famílias mais pobres dedicam parcela quatro vezes maior de sua renda ao imposto sobre imóveis.
Apenas parte do desafio é econômico: quase um terço dos adultos em idade ativa de famílias de baixa renda tem algum tipo de deficiência, ante menos de um quinto em famílias mais abastadas. Cerca de 1 milhão de pessoas nessa faixa dedica pelo menos 35 horas semanais a cuidado não remunerado de parentes ou amigos.
Dados apontam que a estagnação de renda afeta também faixas menos pobres, mas o peso relativo dos impostos é menor nesse grupo. O relatório reforça a necessidade de políticas que elevem a renda disponível sem depender apenas de benefícios.
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