- O Liberal Democratas (LDP) venceram as eleições com 316 de 465 assentos, alcançando duas terças partes da Câmara Baixa pela primeira vez desde a criação do Parlamento, em 1947.
- A aliança com o Japan Innovation soma 36 assentos, elevando a base governista para 352 assentos e consolidando a maioria absoluta.
- Sanae Takaichi, líder do LDP, torna-se a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira ministra e herdará uma agenda de cortes de impostos e estímulo fiscal.
- O Nikkei atingiu recorde histórico, fechando em 56.363 pontos, com alta próxima de 3,9% após a divulgação dos resultados; o iene oscilou, recuando no início e recuperando parte do terreno.
- O governo propõe um pacote de estímulo de 21 trilhões de ienes e a suspensão de dois anos do imposto de 8% sobre alimentos, embora haja preocupações sobre como financiar isso sem emitir nova dívida.
O Partido Liberal Democrata (LDP) de Sanae Takaichi garantiu vitória expressiva nas eleições japonesas de domingo, abrindo caminho para ação fiscal. O LDP conquistou 316 das 465 cadeiras da Câmara Baixa, o que lhe rendeu dois terços do plenário pela primeira vez desde 1947. A vitória amplia a agenda reformista anunciada pela líder, que se tornará a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Japão.
A polarização do resultado trouxe suporte para o aliado de coalizão, o Japão Inovação, com 36 assentos adicionais. Juntos, formam uma maioria absoluta de 352 cadeiras, o que facilita a aprovação de medidas fiscais controversas, incluindo o pacote de estímulo. Takaichi já prometeu impulso de cerca de 21 trilhões de ienes.
O índice Nikkei registrou recorde histórico na sessão de segunda-feira, superando a marca de 56 mil pontos e fechando com alta de 3,9% aos 56.363 pontos. Os movimentos refletiram a percepção de que o governo poderá acelerar os planos de estímulo fiscal.
No mercado de câmbio, o iene osciliu entre fraqueza e recuperação: chegou a cair 0,3% frente ao dólar, antes de ganhos de cerca de 0,5%-0,7%, última leitura próxima de 156,43 ienes por dólar. O movimento econômico ocorreu em meio a expectativas de políticas pró-estímulo.
Takaichi sinalizou intenção de suspender temporariamente o imposto sobre vendas de 8% em alimentos por dois anos, mantendo dúvidas sobre a forma de financiar a medida sem emitir nova dívida. A viabilidade depende de debates entre partidos sobre bem-estar social e tributação, segundo fontes oficiais.
Analistas destacam que o país tem a maior carga de dívida entre desenvolvidos, o que aumenta o escrutínio sobre fontes de receita para a suspensão fiscal. Alguns especialistas, no entanto, apontam para maior margem de manobra na condução orçamentária com a maioria absoluta conquistada.
Minoru Kihara, porta-voz do governo, afirmou que autoridades acompanham de perto os movimentos do mercado de câmbio com senso de urgência. O governo busca reduzir riscos de volatilidade, mantendo o foco na estabilidade macroeconômica.
O desafio de Takaichi é compensar a perda de receita da suspensão do imposto sem ampliar endividamento. A líder reiterou planos de acelerar as ações para cumprir as promessas fiscais, ainda sem detalhes definitivos sobre fontes alternativas de financiamento. A imprensa acompanha, com cautela, o desdobramento das negociações entre partidos.
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