- O dólar caiu cerca de 10% frente a várias moedas desde a posse de Donald Trump, em 21 de janeiro de 2025, sinalizando mudanças no sistema financeiro internacional.
- A queda da moeda norte‑americana reduz o diferencial de juros entre EUA e economias avançadas, diminuindo o incentivo a manter recursos em dólar.
- A política externa dos EUA, com uso frequente de tarifas, aumentou a percepção de risco e gerou episódios em que o dólar recuou em momentos de aversão ao risco.
- No Brasil, dólar mais fraco pode aliviar o serviço da dívida, mas tende a tornar commodities brasileiras menos competitivas, embora possa favorecer importações de insumos e tecnologia.
- Economistas ouvidos indicam impacto inicial negativo para exportações, com possibilidade de ganhos indiretos se houver coordenação de políticas públicas; a recuperação rápida do dólar é considerada pouco provável no curto prazo.
Desde 21 de janeiro de 2025, o dólar acumula queda de cerca de 10% frente a várias moedas globais, segundo análises de mercado. A mudança reflete uma inflexão no sistema financeiro internacional e poderia reduzir o diferencial de juros entre os EUA e outras economias desenvolvidas. A expectativa é de juros mais baixos nos EUA e ganhos de produtividade, com impactos diretos sobre fluxos de capital.
Especialistas apontam que a política externa dos EUA contribui para a atual volatilidade. Tarifas usadas como instrumento de barganha e críticas a autoridades monetárias ampliam a percepção de risco. Em momentos de aversão ao risco, o dólar não se valoriza como costuma ocorrer, o que, em alguns episódios, levou a recuo simultâneo de ações, títulos e da moeda.
Essa condição altera a dinâmica de investimentos internacionais, com retorno de aplicações nos EUA cada vez mais dependente do comportamento cambial. As ações de tecnologia, por exemplo, perdem competitividade quando convertidas para outras moedas em razão do enfraquecimento do dólar.
Impacto para o Brasil
Para o Brasil, os efeitos são complexos e carregam riscos relevantes. A valorização recente do real não reflete fortalecimento estrutural da economia, segundo analistas. Em 2025, a moeda brasileira registrou alta de cerca de 12,5%, resultado atribuído à desvalorização do dólar, não a avanços internos.
Essa valorização encarece commodities e produtos manufaturados exportados, impactando a inserção internacional do país. Especialistas destacam ainda o peso geopolítico do acordo comercial entre EUA e Brasil, que pode favorecer a reindustrialização americana e pressionar setores com vantagem de custo brasileiro.
O comércio exterior pode sair ganhando ou perdendo, dependendo de ações futuras. Em termos de política cambial, há indicativos de esforços para derrubar o dólar e manter juros baixos, com o objetivo de reduzir o custo da dívida pública, que já supera 120% do PIB.
Avaliação de especialistas
Para o mercado brasileiro, o câmbio mais forte tende a reduzir a competitividade das exportações, principalmente de commodities, ao gerar receitas menores em reais. A tendência pode reduzir o superávit comercial e afetar cadeias produtivas voltadas ao mercado externo.
Por outro lado, o real valorizado facilita importações de insumos e tecnologia, o que pode favorecer a modernização produtiva e a integração a cadeias globais. Contudo, para que isso gere ganhos duradouros, é necessária coordenação de políticas públicas.
Analistas apontam que a probabilidade de recuperação rápida do dólar é baixa no curto prazo, diante de juros mais baixos, incertezas fiscais e políticas nos EUA. A reversão, quando ocorrer, dependeria de cenários como uma crise global que eleve a demanda pelo dólar como ativo de proteção.
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