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Na Argentina, dispute sobre dados de inflação desperta temores de interferência política

Renúncia do chefe do INDEC intensifica debate sobre confiabilidade dos dados de inflação e possível interferência política no governo Milei

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Argentina's President Javier Milei speaks during the 56th annual World Economic Forum (WEF) meeting in Davos, Switzerland, January 21, 2026. REUTERS/Denis Balibouse
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  • Marco Lavagna, chefe do INDEC, pediu demissão em meio a divergências com o governo sobre adiantar a atualização da metodologia de cálculo da inflação.
  • O Ministério da Economia afirmou que a saída ocorreu por discordância com a decisão de atrasar a mudança metodológica, apresentada como necessária pelo governo.
  • A controvérsia ocorre em um país com histórico de manipulação de dados, incluindo uma reprimenda do Fundo Monetário Internacional em 2013.
  • Críticos da oposição afirmam que a demissão busca proteger a situação política do presidente Milei, que já destacou a queda da inflação como prioridade.
  • O INDEC havia informado que a nova metodologia seria aplicada a dados de janeiro; o governo não deu prazo alternativo, segundo o ministro Caputo.

Argentina vive uma crise de inflação como tema político após a renúncia do chefe do INDEC, Marco Lavagna, nesta semana. A saída ocorreu em meio a divergências sobre a mudança na metodologia de cálculo da inflação, defendida pelo governo de Javier Milei para ajustar a política econômica.

Economia Ministra Luis Caputo afirmou que o desligamento decorreu de discordância com a decisão de adiar a atualização metodológica. O INDEC é visto como autônomo, e a intervenção política é motivo de preocupação para investidores e opositores. A confirmação ocorreu após a revelação da resistência interna ao novo formato.

Lavagna deixava o cargo em meio a acenos de que mudanças dadas pelo governo poderiam elevar, ainda que levemente, a inflação medida. O objetivo de Milei é reduzir a inflação mensal a menos de 1% até agosto, mas o veto à mudança ainda não tem cronograma claro, segundo Caputo.

Histórico de dúvidas

A credibilidade dos números oficiais de inflação já enfrentou desconfiança histórica, associada a governos anteriores que foram acusados de subestimar a inflação. Em 2013, o FMI chegou a repreender a Argentina por dados abaixo da realidade. A mudança de metodologia reacende esse debate.

Mercado e opinião pública

Fontes do mercado indicam que a nova fórmula poderia ter mostrado inflação ligeiramente mais alta. Autoridades do ministério da economia não comentaram oficialmente o assunto. Enquanto isso, apoiadores de Milei destacam que a estabilização recente da inflação tem apoio público, apesar das controvérsias.

Mercado de bens e poder de compra

Com a desvalorização do peso, muitos argentinos sentem a perda de poder de compra. Relatos de moradores apontam que aluguel, serviços e tarifas influenciam o orçamento mensal, mesmo com sinalizações de contenção de subsídios pelo governo.

Repercussões políticas

A renúncia de Lavagna alimenta críticas de opositores, que veem o movimento como tentativa de proteger a posição política do presidente. Parlamentares ressaltam a importância de transparência estatística para a confiabilidade dos dados econômicos.

Posicionamento oficial

O Ministério da Economia não comentou oficialmente sobre a renúncia ou sobre a implementação da nova metodologia. A discussão continua, com a expectativa de novas informações a depender do andamento das políticas econômicas de Milei.

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