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Mercado cobra retomada mais rápida do Bradesco; CEO afirma manter plano

Bradesco mantém plano de recuperação gradual, apesar de projeções para 2026 serem consideradas conservadoras; ROE chega a 15,2% no fim de dois mil e vinte cinco

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Marcelo Noronha diz que o plano de reestruturação do banco exige um nível ainda elevado de investimentos, especialmente em tecnologia
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  • Bradesco apresentou lucro líquido no quarto trimestre de 2025 acima das estimativas, mantendo o plano de recuperação gradual em andamento.
  • O ROE fechou 2025 em 15,2%, o que marca a recuperação em relação aos anos anteriores, mas ainda fica abaixo do que os peers costumam alcançar.
  • O guidance para 2026 aponta lucro de R$ 27,5 bilhões, abaixo da faixa de R$ 30 bilhões esperada pelo mercado; o banco diz que manterá investimentos, principalmente em tecnologia.
  • A instituição projeta expandir a carteira de crédito em 9,5% no ponto médio do guidance, com destaque para pequenas e médias empresas e participação de mercado de 16,1% nesse segmento.
  • As ações reagiram com queda após o anuncio, e o CEO Marcelo Noronha afirmou que não mudará a estratégia nem as metas de curto prazo, prevendo maior volatilidade no segundo semestre por conta do cenário eleitoral.

O Bradesco divulgou, no quarto trimestre de 2025, resultados que ficaram acima das expectativas dos analistas, dois anos após a divulgação do seu plano de turnaround. O banco destacou a continuidade da estratégia de crescimento gradual, dita pelo CEO Marcelo Noronha, mesmo com a pressão de acelerar o ritmo de recuperação.

Noronha afirmou que não pretende alterar a estratégia atual, mesmo diante do questionamento de investidores. O executivo insistiu na necessidade de investimentos elevados, especialmente em tecnologia, para sustentar a competitividade no médio e longo prazos. A última leva de resultados mostrou rentabilidade em ascensão, com o ROE chegando a 15,2% no quarto trimestre de 2025.

Desempenho e planos para 2026

O retorno sobre patrimônio líquido médio (ROAE) vinha se recuperando desde o início do plano, que começou no começo de 2024. Em 2023, o ROAE caiu para 6,9%, com comparação ao ROE dos concorrentes em patamar próximo ou acima de 20%. O resultado do fim de 2025 marcou o primeiro trimestre em que o ROE ficou acima do custo de capital desde o início do turnaround.

O guidance para 2026 apresenta lucro líquido de 27,5 bilhões de reais, abaixo da faixa de 30 bilhões estimada pelo mercado para o ano. O banco ressaltou que o guidance é conservador, mantendo a previsão de crescimento de receitas com expansão do crédito. A companhia espera crescer a carteira de crédito em 9,5% no ponto central, abaixo dos 11% alcançados em 2025.

Carteira de crédito, varejo e atuação no mercado

Entre as alavancas de crescimento, Noronha destacou o segmento de pequenas e médias empresas, com maior apetite por expansão e ganho de participação de mercado. O Bradesco detém hoje 16,1% de participação nesse setor, com avanço de 2,3 pontos percentuais desde o fim de 2023. No segmento de alta renda, o foco é reforçar o relacionamento com clientes, mantendo expansão da base.

A instituição planeja ampliar a base do produto Principal, criado em outubro de 2024 para clientes com renda acima de 25 mil reais e investimentos a partir de 300 mil reais. O banco encerrou 2025 com 320 mil clientes nesse cartão e projeta chegar a 800 mil até o fim de 2026, representando incremento expressivo.

Reação do mercado

Após a divulgação, os ADRs do Bradesco registraram queda de até 5% no after market. As ações preferenciais (BBDC4) operavam em queda de 3,2% por volta das 14h30, com o Ibovespa em alta marginal. O Lide da instituição segue confiando na estratégia de gestão, destacando que ajustes de mercado podem ocorrer, mas a organização permanece firme no plano.

A gestão afirmou que não há intenção de alterar a estratégia de investimentos, mesmo com volatilidade esperada no segundo semestre, associada ao cenário eleitoral. O banco mantém a expectativa de crescimento de receitas guiado pela expansão de crédito e pela participação de mercado, com foco em eficiência e tecnologia para sustentar a rentabilidade ao longo do período de recuperação.

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