- Peter Mandelson começou a buscar orientação de Jeffrey Epstein para conseguir cargos bem remunerados em empresas como Glencore e BP, dias após a derrota do Labour em 2010.
- Os e-mails mostram Epstein mentorando Mandelson e discutindo a possibilidade de atuação na Glencore, que planejava um leilão na bolsa em 2011 avaliado em cerca de £60 bilhões.
- Mandelson ofereceu ajuda à Glencore com “atenção e interferência do governo” durante o listing; também avaliavam a chance de um cargo lucrativo na BP para lidar com a crise provocada pelo Deepwater Horizon.
- Em junho, discutiram uma oferta da Deutsche Bank e a ideia de usar Nat Rothschild para influenciar a Glencore; em julho Mandelson escreveu a Glasenberg para concorrer ao cargo de chairman.
- No desfecho, Mandelson acabou prestando serviços para a Glencore por meio de sua empresa Global Counsel; BP e Glencore não comentaram.
Peter Mandelson buscou aconselhamento de Jeffrey Epstein logo após a derrota do Labour em 2010, com o objetivo de conseguir cargos remunerados em empresas globais, entre elas Glencore e BP, conforme mensagens divulgadas pelos departamentos de Justiça dos EUA.
As comunicações, enviadas nas semanas e meses após o fim do projeto New Labour, mostram Epstein orientando Mandelson enquanto o ex-ministro avaliava posições de alto salário em grandes grupos empresariais. Os e-mails integram um conjunto de 3 milhões de páginas sobre Epstein.
O material detalha o interesse de Mandelson pela Glencore, descrita como uma “fábrica de bilionários” pela alta remuneração de executivos após a megaoferta de 60 bilhões de libras em 2011. O ex-profissional do governo chegou a oferecer apoio para a visibilidade do governo junto à empresa.
Outra linha da pauta envolve a BP, com a possibilidade de Mandelson atuar para ajudar na gestão da crise causada pelo BP Deepwater Horizon. Em mensagens, ele foi questionado se iria atuar como um ”bom samaritano” para lidar com os impactos ambientais e reputacionais.
O início efetivo da busca por oportunidades ocorreu em 22 de maio de 2010, onze dias após o Labour perder o poder. Mandelson avisou Epstein sobre uma reunião com Ivan Glasenberg, chefe da Glencore, e citou participação acionária relevante de Glasenberg em Xstrata como possível alvo de interesse.
As trocas indicam ainda que Nat Rothschild estaria envolvido na avaliação de oportunidades, com Mandelson, Epstein e Rothschild discutindo quem poderia indicar Mandelson à Glencore ou a outras funções. Fontes próximas a Rothschild referem que ele conversou com várias pessoas a respeito de cargos.
Em junho, houve menção a uma oferta da Deutsche Bank, com Epstein sugerindo usar a Glencore como alavancagem. Em julho, Mandelson enviou uma carta de apresentação a Glasenberg, apresentando-se como profissional experiente capaz de contribuir com a gestão de crises e com a compreensão de políticas públicas.
Epstein sugeriu que Mandelson informasse Nat Rothschild para que ele pudesse repassar a Glencore informações sobre outras propostas. No mesmo período, Mandelson discutiu com Epstein sobre a possibilidade de assumir a posição de chair na Glencore, o que, segundo fontes, não ocorreu.
Conclui-se que Mandelson acabou recebendo papel de consultoria para a Glencore por meio da Global Counsel, trabalhando em estratégias para a empresa durante o período de preparação da cotação na bolsa. A trajetória também envolve outras figuras, como Tony Blair, que também teve acordos remunerados com Glencore.
A Glencore e a BP não comentaram o conteúdo das mensagens. O Guardian informou que a divulgação ocorreu no âmbito de arquivos de Epstein tratados pelo Departamento de Justiça dos EUA. As informações permanecem sob análise das autoridades e não há confirmação de cargos ocupados por Mandelson na Glencore ou detalhes adicionais sobre contratos firmados.
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