- A B3 projeta dias melhores para IPOs no Brasil em 2026, após a estreia do PicPay na bolsa de Nova York.
- O CEO Gilson Finkelsztain disse que o fluxo estrangeiro pode levar empresas maduras a retomarem projetos de abertura de capital, com infraestrutura como primeira janela.
- Hoje, mais de cinquenta companhias já teriam aprovação e governança prontas, mas ainda falta demanda entre investidores.
- O cenário doméstico segue dependente da atração de investidores para ações e da trajetória da Selic, com expectativa de corte de 0,5 ponto percentual em março e taxa de 12,5% ao ano em dezembro.
- O executivo espera 10 a 15 transações no ano, entre IPOs e follow-ons, com infraestrutura como porta de entrada, seguida por energia, concessions e outros setores.
A bolsa brasileira pode viver uma nova janela de IPOs em 2026, após o fim de um hiato que começou em 2021 com a Vittia. A estreia do PicPay em Nova York sinalizou um momento de abertura para empresas locais.
O CEO da B3, Gilson Finkelsztain, disse que dias melhores virão para o mercado de capitais brasileiro. Em evento com jornalistas, ele destacou o fluxo estrangeiro como catalisador, ainda que modesto, para trazer projetos de IPO à tona.
Segundo o executivo, já há mais de 50 companhias aprovadas com governança pronta para acessar o mercado. A restrição atual é a demanda, não a elegibilidade, e o ambiente segue dependente do apetite por risco dos investidores.
Potencial de IPOs no Brasil
Finkelsztain aponta que o setor de infraestrutura pode abrir a nova janela, com saneamento e logística como pilares iniciais. Empresas de capital intensivo, com demanda estrutural forte, seriam as primeiras a negociar na B3.
A expectativa é que, a partir daí, o leque se amplie para energia, concessões rodoviárias, farmacêuticas, cimenteiras e siderúrgicas. O discurso do Cadealto enfatiza que o Brasil tem empreendedores fortes e negócios sólidos.
Ainda que haja interesse por listar no exterior, a B3 acredita que a maioria das ofertas ocorrerá localmente. O objetivo é manter o investidor doméstico, especialmente pessoas físicas e institucionais, como base de capital.
Cenário macro e demanda doméstica
Bancos estimam um total de 10 a 15 transações entre IPOs e follow-ons neste ano, condicionado pela continuidade dos fluxos internacionais e pela estabilidade macro. O cenário depende do ritmo de cortes da Selic e da percepção de risco.
A trajetória da taxa de juros segue como maior gatilho. Mesmo com sinalizações de redução, a Selic permanece elevada, o que reduz a parcela de brasileiros em renda variável, hoje entre 5% e 6%.
Com cortes esperados, a bússola pode se orientar a uma maior participação doméstica e maior liquidez. Nesse ambiente, mais empresas podem avançar com a abertura de capital.
Perspectivas para 2026
O otimismo é cauteloso: o movimento de fluxos globais para emergentes pode beneficiar a bolsa brasileira, mesmo que ainda represente parte do capital que busca fora do país. O efeito, se mantido, pode viabilizar novas listas.
Finkelsztain mantém o tom de confiança. Sem previsões categóricas, ele afirma que a engrenagem está se movendo e que “dias melhores virão” para o mercado de capitais brasileiro.
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