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Carney ganha admiração global, mas não reduz custos de alimentação no Canadá

Carney é elogiado internacionalmente, mas não reduz inflação de alimentos no Canadá, que lidera o G7 em alta de preços e pressiona apoio doméstico

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Canada's Prime Minister Mark Carney speaks during Question Period in the House of Commons on Parliament Hill in Ottawa, Ontario, Canada, February 3, 2026. REUTERS/Patrick Doyle/File Photo
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  • O primeiro-ministro Mark Carney recebe reconhecimento internacional por contestar a ordem mundial com regras, mas enfrenta dificuldade para reduzir o custo de alimentos no Canadá.
  • No Canadá, a inflação de alimentos em dezembro foi de 6,2%, a mais alta entre os países do G‑7, quase o dobro da registrada nos Estados Unidos e superior a França e Alemanha.
  • O Banco do Canadá informou que os preços de groceries subiram 22% nos últimos três anos, com alta puxada por itens importados, sazonalidade climática extrema e desvalorização da moeda em 2024.
  • Na semana passada, Carney anunciou medidas como crédito tributário por cinco anos para os 12 milhões de pessoas mais pobres e um fundo de C$ 500 milhões para ajudar empresas a lidar com interrupções na cadeia de suprimentos, além de permitir abatimento de despesas com estufa para produtores.
  • Especialistas divergem sobre o impacto dessas medidas nos preços de alimentos, que seguem como principal motor da inflação no país, enquanto a opinião pública acompanha o desempenho político de Carney em meio a pressões econômicas internas.

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, ganhou elogios globais por questionar o atual sistema baseado em regras, mas enfrenta dificuldades para reduzir os custos de alimentação no país. Dados oficiais apontam que, em dezembro, a inflação de alimentos no Canadá ficou em 6,2%, o maior between G7, e superior aos Estados Unidos, França e Alemanha. O anúncio ocorre em um momento de pressão sobre o custo de vida interno.

Carney governa com apoio de um governo de minoria, dependendo de outras legendas para aprovar medidas. Enquanto a percepção externa sobre a liderança dele é positiva, interna o foco está na inflação dos alimentos, que se tornou o principal motor da inflação canadense, segundo analistas. Uma parte da população vê as medidas fiscais como paliativas para quem disputa o aluguel com as compras de comida.

Em nota recente, o Banco do Canadá apontou alta de 22% nos preços de supermercado nos últimos três anos, ante 13% de outros preços ao consumidor. O empurrão veio principalmente de alimentos importados, interrupções na cadeia de suprimentos e a depreciação do dólar canadense em 2024. O governo lançou ações para mitigar custos, incluindo crédito tributário para os 12 milhões de pessoas mais pobres pelos próximos cinco anos e aporte de 500 milhões de dólares para apoiar empresas com distúrbios logísticos.

Cenário político e medidas adotadas

Analistas divergem sobre o impacto imediato das medidas. Pesquisadores afirmam que os créditos podem ajudar famílias a equilibrar despesas, mas não reduzem o preço dos alimentos a curto prazo. Líderes da oposição destacam que ações adicionais são necessárias para conter a inflação alimentar de forma estrutural.

Francois-Philippe Champagne, ministro das Finanças, ressaltou que as iniciativas são apenas o primeiro passo, com planos de atacar questões estruturais no médio e longo prazo. Em anos anteriores, o governo já adotou suspensões temporárias de impostos sobre determinados itens para ampliar o poder de compra, com resultados mistos dependendo do setor.

Problemas de longa data no mercado de gêneros alimentícios no Canadá incluem domínio de poucas empresas, sazonalidade de produtores e dependência de importações dos EUA, que elevam custos. Especialistas apontam ainda custos trabalhistas e de transporte, bem como barreiras regulatórias internas que elevam o preço de produtos frescos, especialmente no inverno.

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