- A Polícia Federal investiga uma aquisição pulverizada de ações do BRB por empresários ligados ao Banco Master e à Reag Investimentos, realizada por meio de múltiplos fundos.
- Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ex-sócio Maurício Quadrado e o fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, teriam comprado as ações como pessoas físicas, mas através de várias estruturas intermediárias, dificultando a identificação dos compradores.
- O foco não é a compra em si, e sim o modelo utilizado para ocultar a identidade dos compradores e por que não informaram ao BRB a condição de acionistas.
- O relatório de auditoria externa, solicitado pela nova diretoria do BRB, aponta que Vorcaro, Quadrado e Mansur são acionistas sem direito a voto, com participação de até cinco por cento do banco.
- Há vínculos entre as pessoas e fundos envolvidos na compra das ações do BRB e operações anteriores entre BRB e o Banco Master, com o BRB afirmando ter identificado achados relevantes e adotado medidas para resguardar créditos, ativos e ressarcimento.
O Ministério Público Federal e a Polícia Federal investigam a aquisição de ações do Banco de Brasília (BRB) realizada por empresários ligados ao Banco Master e à Reag Investimentos. A apuração aponta venda de ações de forma pulverizada, por meio de múltiplos fundos, dificultando o rastreamento dos compradores.
Segundo a PF, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Maurício Quadrado, ex-sócio do Master, e João Carlos Mansur, fundador da Reag, compraram ações do BRB como pessoas físicas, porém por meio de estruturas intermediárias. A investigação busca entender por que não houve uma operação direta e transparente.
A apuração também investiga por que os compradores não informaram ao BRB a condição de acionistas, informação descoberta apenas ao longo do inquérito. Não é crime comprar ações, mas o modelo utilizado é o foco da investigação.
Conexões com o Banco Master
O Banco Master foi liquidado em outubro pelo Banco Central por insuficiência de recursos para honrar compromissos. Vorcaro já havia sido preso pela PF em operações ligadas a fraude financeira envolvendo o Master, inclusive em relação à venda de papéis para o BRB.
A PF aponta coincidências entre pessoas e fundos envolvidos na compra do BRB e operações suspeitas entre BRB e Master entre 2024 e 2025. A investigação busca esclarecer se o formato de aquisição encobria a identidade dos reais compradores.
Reag e impactos da auditoria
A Reag, ligada a Mansur, também passou a ser alvo da PF. A empresa teria participado da estruturação de fundos suspeitos de movimentação atípica, inflando resultados e ocultando riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.
O relatório de auditoria externa, iniciado em 2 de dezembro a pedido da nova diretoria do BRB, foi encaminhado ao STF, ao Banco Central e à PF. O documento aponta a condição de acionistas sem direito a voto para Vorcaro, Quadrado e Mansur.
O que diz o BRB
O BRB informou que a auditoria identificou achados relevantes na primeira etapa do relatório. A instituição afirma ter adotado medidas institucionais, administrativas e extrajudiciais para resguardar créditos, ativos e ressarcir prejuízos decorrentes da operação Compliance Zero.
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