- Ministério Público Federal aponta que fundos geridos pela família Vorcaro teriam provocado prejuízos de pelo menos R$ 5,8 milhões a regimes próprios de previdência entre 2018 e 2020, com possível aumento ao considerar cotas ainda em carteira.
- Investigação da Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (CVM) analisou balanços de três empresas da família entre 2018 e 2020, identificando investimentos de alto risco em fundos de previdência.
- O MPF aponta indícios de interferências políticas e direcionamentos de investimentos incompatíveis com o perfil conservador dos RPPS, além de indicar uso de letras financeiras para manter operação do Banco Master.
- Em 2024, o Master dependeria ainda de fundos de pensão de servidores para caixa e pagamentos, mantendo remunerações elevadas em captação de CDBs e concentrando emissões de letras financeiras em RPPS.
- Entre os estados que mais investiram no Master estão Rio de Janeiro (cerca de R$ 970 milhões) e Amapá (R$ 400 milhões), com o MPF sugerindo possível ingerência política nos aportes.
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou à Justiça uma representação indicando que fundos de investimento geridos pela família de Daniel Vorcaro causaram prejuízos a cotistas de previdências estaduais e municipais do Brasil desde 2018. Segundo o MPF, a operação envolveu empresas da família do dono do banco Master e dados obtidos pela CVM indicam perdas relevantes nesse período.
A Procuradoria detalha que a CVM foi chamada a analisar a movimentação de três empresas ligadas aos Vorcaro entre 2018 e 2020. O cálculo inicial aponta prejuízo mínimo de R$ 5,8 milhões apenas nesses anos, e o montante final pode ser ainda maior, pois alguns fundos ainda detinham cotas.
A investigação aponta que os fundos investiram recursos de RPPS, o Regime Próprio de Previdência Social, que poderiam absorver prejuízos em caso de perdas. O MPF sustenta que o Master passou a depender de fundos de pensão de servidores para manter caixa e pagar investidores, especialmente a partir de 2024.
Avanço da investigação e evidências
A Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE) da CVM realizou um pente-fino em balanços de outubro de 2018 a março de 2020 envolvendo as três empresas da família. O documento afirma que alguns fundos tinham cotistas vinculados aos RPPS, o que, em última instância, podia transferir prejuízos para tais regimes.
Ainda segundo o MPF, a instituição financeira manteve uma política de remuneração elevada na captação de CDBs e concentrou grande parte das emissões de letras financeiras em RPPS. Essa prática, segundo o órgão, expôs recursos públicos a instrumentos de alto risco.
Controvérsias e consequências
O MPF conclui que a emissão de letras financeiras em 2024 foi essencial para a continuidade do Master, mas elevou o risco aos recursos previdenciários de servidores. O relatório aponta fragilidades no modelo de negócios da instituição e sugere indícios de interferências políticas nos aportes realizados.
Entre os estados que mais investiram recursos de aposentados no Master, o Rio de Janeiro aparece com destaque, após a prisão do ex-presidente da RioPrevidência. O valor citado é de aproximadamente R$ 970 milhões. O Amapá aparece com cerca de R$ 400 milhões.
Desdobramentos e próximos passos
O MPF avalia que os valores envolvidos indicam possíveis ingerências políticas nos aportes ao banco, que já mostrava sinais de insolvência no fim de 2024. A defesa de Daniel Vorcaro ainda não se pronunciou nesta matéria. A coluna aguarda resposta para atualização dos fatos.
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