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EUA cedem vantagem comercial na África

AGOA expira e, sem renovação, EUA perdem previsibilidade, empregos e influência estratégica na África, com impactos em cadeias de suprimento e investimento

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Loaded containers stacked on top of a cargo ship sail through the Suez Canal near Egypt on Jan. 20, 2017.
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  • A AGOA, política de comércio entre EUA e África, expirou em 30 de setembro de 2025, após vinte e cinco anos.
  • O programa oferecia acesso preferencial a mais de 1.800 produtos para 32 países da África Subsaariana, sem tarifas de exportação.
  • A Câmara aprovou um projeto de extensão, mas ainda precisa passar pelo Senado e assinar o presidente, com propostas atuais de continuidade de curto prazo.
  • A Administração Biden sinalizou interesse em reformar e renovar a AGOA, enquanto o debate sobre orçamento dificulta ações definitivas no Congresso.
  • Sem renovação ou substituição, os EUA poderiam perder ferramentas de diplomacia econômica, segurança de saber de suprimentos e influência estratégica, especialmente frente à China.

O AGOA, principal acordo de comércio entre EUA e África, expirou em 30 de setembro de 2025 após 25 anos de vigência. O programa concedia acesso preferencial a mais de 1.800 produtos para 32 países da África Subsaariana, sem tarifas de exportação. A renovação depende do Senado e de sinalizações orçamentárias.

Apesar da aprovação na Câmara dos Deputados, o texto ainda aguarda votação no Senado e assinatura presidencial. Mesmo que seja aprobado, as propostas atuais devem oferecer apenas continuidade de curto prazo, gerando incerteza para investidores de longo prazo.

Do ponto de vista americano, o AGOA sustentou empregos, ampliou o acesso a minerais críticos e fortaleceu a segurança energética. O Departamento de Estado descreve o programa como a base do engajamento econômico dos EUA com a África Subsaariana.

Implicações econômicas e estratégicas

A administração Biden sinalizou interesse em reformar e reautorizar o AGOA, com várias propostas bipartidárias apresentadas, mas sem votação até o fim do mandato. Autoridades chegaram a discutir uma extensão de um ano durante transições entre administrações.

Se não for renovado ou substituído por um mecanismo equivalente, os EUA podem perder ferramentas de diplomacia econômica, robustez de cadeias de suprimento e confiabilidade de parceria com a África, especialmente diante do crescimento demográfico e econômico regional.

Dados apontam que o AGOA ajudou a manter a produção industrial norte-americana, fornecendo matérias-primas, componentes e insumos que fortalecem a competitividade de produtos de maior valor agregado feitos nos EUA. Estima-se que cerca de 450 mil empregos estejam ligados ao comércio com a África via AGOA.

A relação comercial também impulsionou setores como têxteis, automotivo, joias e energia. Exportações de vestuário africano para os EUA cresceram ao longo de duas décadas, enquanto a indústria têxtil norte-americana depende de insumos importados, o que o AGOA facilitava.

Parcerias na área de minerais estratégicos ganharam maior relevância, com destaque para cobalto, grafita, manganês e platina. A diversificação de cadeias de suprimento tem sido citada como vantagem de se manter relações estáveis com países africanos.

A coordenação energética também figura entre os impactos: o comércio de petróleo de países africanos tem participação relevante para reduzir a dependência de fornecedores do Oriente Médio. Em alguns estados, como Texas, empresas aproveitam a nova dinâmica de refino e exportação com África.

Cenário geopolítico e próximos passos

Caso o AGOA não seja renovado, o risco é aumentar a dependência de fornecedores asiáticos e reduzir oportunidades na África, hoje palco de crescimento de classe média e demanda elevada. China já ampliou presença comercial no continente, elevando a importância de um quadro comercial previsível para os EUA.

O debate no Congresso deve considerar não apenas a renovação, mas a expansão para setores adicionais, acordos de minerais críticos e reduzir barreiras ao comércio digital. Também se discute a possibilidade de alinhar-se a estruturas como o AfCFTA para ampliar oportunidades de mercado.

Mesmo com a incerteza, a necessidade de um quadro estratégico estável permanece. Um marco credível de comércio EUA-África pode estimular investimentos, proteger empregos e sustentar a presença norte-americana na região diante de mudanças no cenário global.

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