- O mercado brasileiro de iates migrou do foco em barcos de 30–50 pés para modelos acima de 70 pés, com demanda puxada por clientes de alta renda.
- O estaleiro Okean Ferretti, licenciado exclusivo da Ferretti Yachts no Brasil, aposta na banda de barcos maiores e na produção local.
- Em 2025, a empresa mostrou 1.150 pés em 16 barcos, uma média de 72 pés por unidade, marcando portfólio centrado em modelos maiores.
- Os modelos de maior interesse são Ferretti 850 e Ferretti 1000; quem fechar contrato para uma Ferretti 850 pode receber a embarcação apenas em outubro de 2027.
- A produção foi reconfigurada em Santa Catarina, com três plantas que somam quase quarenta mil metros quadrados, plano para até cinquenta barcos por ano e abertura de oitenta a cem vagas.
O Barco Queridinho do Brasileiro trocou de classe e de tamanho: o mercado de luxo náutico brasileiro passou a mirar barcos acima de 70 pés. A Okean Ferretti Yachts, estaleiro de Santa Catarina, produz modelos da marca italiana fora da Itália sob licenciamento exclusivo, atendendo a uma demanda maior e mais sofisticada.
Em dez anos, a Okean construiu 5.083 pés de casco. Em 2025 foram 1.150 pés em 16 barcos, uma média de cerca de 72 pés por unidade. O portfólio evidencia foco crescente em modelos maiores e no padrão de alto padrão da Ferretti Yachts.
O novo foco acompanha o perfil do comprador brasileiro. Segundo Manuel Macieira Pires, diretor comercial, a maioria dos 85 clientes atendidos já tem experiência náutica, com famílias que navegavam há anos. A cada troca, o dono costuma subir cerca de 10 pés em cinco a seis anos.
Ferretti 850 e Ferretti 1000: o novo patamar
Hoje, o sonho para esse público é o Ferretti 850, de 85 pés, ou o Ferretti 1000, de 100 pés. A demanda é tanta que quem fechar contrato hoje pode receber a embarcação apenas em outubro de 2027, considerando produção e matrícula já confirmadas.
A escassez de opções compatíveis no Brasil sustenta esse mercado. O estaleiro aponta que o Brasil é carente de barcos maiores e de qualidade, reduzindo a pressão competitiva na faixa de 85 a 100 pés. Já foram fabricadas mais de 50 Ferretti no país, com mais de 60 unidades vendidas.
A mudança de produção envolve uma reorganização industrial: a unidade do Guarujá migrou para Santa Catarina, com planta capaz de produzir até 50 barcos por ano. A expansão inclui laminação de cascos em Porto Belo e marcenaria em Rio Negrinho, somando quase 40 mil m² de área.
O grupo mantém parcerias com SESI e SENAI para formação técnica, mas ainda enfrenta mão de obra qualificada. Hoje a empresa emprega cerca de 500 pessoas e planeja abrir entre 80 e 100 vagas adicionais com novos turnos, mantendo o trabalho largely artesanal nas etapas finais.
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