- Em 2026, o Banco Central (BC) enfrenta o maior teste de credibilidade, com o cycle de cortes da Selic, as eleições e a diretoria completamente indicada pelo governo do presidente Lula.
- O Copom pode iniciar o ciclo de quedas em março; o câmbio é a variável-chave para a desinflação e a Selic pode encerrar o ano entre 12% e 12,5%, conforme o dólar oscilar entre 5,18 e 5,40 reais.
- Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, afirma que a credibilidade do BC aumentou após a última reunião, mas ressalta a necessidade de explicação na ata de hoje sobre o horizonte de cortes.
- A expectativa é de uma redução de 2,5 a 3 pontos percentuais na Selic em 2026, influenciada pelo câmbio e pela incerteza sobre o ajuste fiscal em 2027.
- A nomeação de dois diretores relevantes, especialmente da Diretoria de Política Econômica, é vista como determinante para a credibilidade; a autonomia formal existe, mas depende da atuação dos indicados.
O Banco Central enfrenta um ano de grande tensão, com o ciclo de cortes da Selic no centro das atenções e as eleições presidenciais no horizonte. A credibilidade do Copom será testada pela resposta às mudanças políticas e econômicas que marcam 2026.
Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, aponta que 2026 terá o primeiro ano com todos os diretores-chave indicados pelo governo atual. Esse alinhamento aumenta o escrutínio sobre a atuação da autoridade monetária.
A coletiva de imprensa que trata da ata de decisão sobre juros deve esclarecer o ritmo do aperto ou afrouxamento. A comunicação recente do BC gerou dúvidas sobre o timing de cortes, mesmo com inflação sob controle e câmbio volátil.
O BC sinalizou possibilidade de corte a partir de março, mas a jornalista destaca que o cenário eleva a incerteza, pois o ambiente externo e a política fiscal influenciam o espaço de atuação. A leitura de credibilidade depende da consistência entre discurso e prática.
A projeção é de que a Selic encerre 2026 entre 12% e 12,5% ao ano, dependendo do câmbio. Um dólar mais fraco tende a ampliar a convergência da inflação, enquanto um real mais fraco pode retardar o ajuste. O câmbio é visto como a variável-chave.
Srour ressalta que o ciclo de cortes deve ser mais contido do que em ciclos passados, devido à incerteza de 2027, com dúvidas sobre ajuste fiscal e o efeito de eleições. A atuação dos diretores, aliados à comunicação, será decisiva para a credibilidade.
A nomeação de diretores e o papel da política econômica
A chegada dos diretores de Política Econômica e Organização do Sistema Financeiro completa o chamado núcleo técnico que orienta o Copom. Enquanto as vagas não são preenchidas, o mercado mantém atenção extra às decisões do BC.
A diretoria de Política Econômica registra maior peso na modelagem de cenários e na comunicação institucional. A independência formal permanece, mas a percepção de autonomia passa pela qualidade das escolhas do governo e dos indicados.
Para o mercado, a credibilidade do BC depende de nomes técnicos que atuem com independência. Exemplos recentes mostram que, quando confirmado por resultados e comunicação clara, esse equilíbrio é alcançável mesmo sob pressão institucional.
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