- A maioria dos proprietários com hipoteca não verá aumento nas parcelas se o banco central australiano (RBA) subir a taxa nesta semana.
- Espera-se que o RBA eleve a taxa de juros de 3,6% para 3,85%, encerrando o ciclo de alta mais curto e gradual da memória.
- A maioria dos clientes com taxa variável não reduziu as parcelas após os cortes de 2024; no NAB, 8 em cada 10 não diminuíram pagamentos, e no Commonwealth Bank ficou entre 85% e 90%.
- Quem paga apenas o mínimo continua propenso a sentir o impacto do aumento, enquanto quem já paga mais pode não ver mudanças no orçamento diário.
- Especialistas destacam que o efeito da política monetária se espalha pela economia via renda, câmbio e incentivos a poupar gastando, e aconselham buscar orientação financeira se houver dúvidas sobre o futuro.
Diante da expectativa de alta da taxa básica de juros, a maioria dos mutuários com hipoteca não verá o valor de suas parcelas aumentar caso o Reserve Bank mantenha o ritmo de alta nesta semana. A projeção é de elevação de 3,6% para 3,85%, ficando o ciclo de alta o mais curto e suave em memória, após a inflação recuperar fôlego no segundo semestre do último ano.
Ao todo, cerca de 3,3 milhões de proprietários com hipoteca são afetados pela decisão. O mercado já precifica a elevação, que deve ocorrer nesta terça-feira, com impacto direto nas parcelas apenas para quem optou por pagar apenas o mínimo.
Dados de instituições locais indicam que a maioria dos clientes de credores grandes não reduziu parcelas mesmo com os cortes anteriores. O NAB aponta que 8 em cada 10 tomadores com taxa variável não diminuíram os pagamentos após as três reduções do ano passado. No Commonwealth Bank, a faixa fica entre 85% e 90%.
ANZ não revelou números de clientes que reduziram parcelas após cada corte, mas especialistas apontam que o comportamento pode não variar significativamente entre bancos. Sally Tindall, da Canstar, destaca que muitos clientes mantêm débito automático estável desde janeiro de 2025, o que facilita enfrentar o aumento sem mexer no orçamento diário.
Para quem já paga além do mínimo, a alta deverá ter efeito menor no curto prazo. Segundo Tindall, o foco está na capacidade de quitar o financiamento ao longo do tempo, não no orçamento mensal imediato. Ainda assim, o custo total do empréstimo tende a subir com juros mais altos.
Entre as instituição financeiras, Westpac e Macquarie costumam ajustar pagamentos automaticamente quando o mutuário solicita o mínimo. Essa prática não é adotada de forma ampla pelos demais grandes bancos, o que pode influenciar o fluxo de caixa de cada família.
Especialistas lembram que o canal de fluxo de caixa nem sempre é o mais relevante para o consumo. Pesquisas indicam que fatores como riqueza, taxas de câmbio e decisões de poupança também modulam o efeito das mudanças de política monetária na economia doméstica.
Para famílias com dificuldade de manter as contas, recomenda-se procurar orientação em serviços de aconselhamento financeiro e na linha de apoio gratuita às dívidas. Quanto antes buscar ajuda, maior a margem de negociação com bancos.
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