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Prata em tendência de escassez; Bitcoin visto como operação macro beta

Prata atinge pico acima de $121/oz e recua 11% com margens; Bitcoin cai a cerca de $82,8 mil, sinalizando divergência diante de aperto monetário

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Silver Is Trading Like a Shortage Story — Bitcoin Like a Macro Beta Trade
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  • Em outubro a COMEX registrou retirada de cerca de 117 milhões de onças de prata desde setembro, impulsionando uma alta a mais de US$ 121 por onça, seguida de uma queda de cerca de 11% após aumentos de margem.
  • Bitcoin opera em queda, around US$ 82.800, com intraday mínimo próximo de US$ 81.300, refletindo ajustes de liquidez e receio macro.
  • Prata subiu cerca de 39% em janeiro, atingiu pico acima de US$ 117 e, mesmo com a correção, acumula alta de aproximadamente 25% no último mês; as reservas de prata da COMEX caíram de ~532 milhões para ~418 milhões de onças.
  • Em 2025, a prata fechou o ano com alta superior a 140%, enquanto o Bitcoin ficou levemente abaixo; no último semestre, a prata mostrou desempenho muito mais forte que o bitcoin.
  • Analistas atribuem a rally da prata a deficiências estruturais de oferta e demanda industrial (painéis solares, veículos elétricos, data centers), enquanto o bitcoin segue mais ligado a condições macro e fluxo de ETFs, sob ambiente de aperto monetário.

O pregão de prata no COMEX acumulou um escoamento de 117 milhões de onças desde setembro, alimentando uma pressão de alta que levou o metal a superar US$ 121 por onça. Atingiu esse pico, porém, entre sexta e segunda-feira houve recuo abrupto de cerca de 15%, com cotações próximas de US$ 97.

Paralelamente, o Bitcoin recuou para cerca de US$ 82,8 mil, após desabamento intradiário em torno de US$ 81,3 mil. O movimento ocorre em um ambiente de aperto de liquidez e de cenários de política monetária, que pesaram sobre ativos de risco.

A divergência entre os ativos ficou mais evidente nos últimos meses. Em 2025, a prata fechou o ano com alta superior a 140%, enquanto o Bitcoin ficou estável ou recuou modestamente. Em janeiro, a prata ganhou quase 39% antes de a correção; o preço avançou cerca de 158% desde uma mínima de outubro.

A narrativa da prata tem sido apoiada por fatores físicos de oferta e demanda industrial. Aproximadamente metade da demanda da prata vem de aplicações industriais, como painéis solares e veículos elétricos, que seguem com crescimento rápido. O estoque do COMEX caiu de 532 para 418 milhões de onças desde outubro, sinalizando uma dinâmica de oferta restrita.

Especialistas destacam que a prata opera sob déficit estrutural de oferta nos últimos anos, com a mineração não acompanhando o consumo. Essa conjuntura reforça a percepção de que o metal está em uma espécie de narrativa de escassez, impulsionada pela demanda industrial e por choques de fornecimento.

No lado do Bitcoin, o movimento está atrelado a fatores macro e de liquidez. Analistas citam expectativas de uma abordagem mais firme da política monetária nos EUA, com especulações sobre uma liderança do Fed mais hawkish mantendo juros mais altos por mais tempo e restringindo o balanço.

Essas preocupações pressionaram ativos de risco, desde ações até criptomoedas, reduzindo o apetite por alavancagem. O recuo coincidiu com uma queda mais ampla no mercado de ações e com uma sessão de venda associada a grandes empresas de tecnologia.

Conforme o ciclo se desenrola, a prata tende a se comportar como uma commodity sob estresse físico, enquanto o Bitcoin passa a ser visto como um ativo macro beta, sensível a fluxos de ETFs e a sinais de política pública. O contraste redefine a leitura de dois ativos frente a um ambiente de aperto financeiro.

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