- FMI aponta deterioração fiscal generalizada: déficit médio das economias avançadas subiu de cerca de 3,3% do PIB em 2019 para acima de 5% em 2024; nos EUA, déficit federal ficou acima de 6% do PIB em 2024 e deve permanecer próximo disso em 2025, com dívida pública de US$ 38 trilhões (≈ 125% do PIB) e juros anuais acima de US$ 1 trilhão.
- França fechou 2024 com déficit de 5,8% do PIB e dívida de 112% do PIB; custo do serviço da dívida superou € 50 bilhões, enquanto o spread frente aos títulos alemães ficou acima de 80 pontos-base.
- Reino Unido mantém déficit próximo de 4,5% do PIB e dívida bruta entre 93% e 95% do PIB; juros dos títulos de 10 anos ficaram em patamar mais alto, entre 4% e 4,5%.
- Japão tem a maior dívida pública entre economias desenvolvidas, acima de 230% do PIB; em 2025, Banco do Japão passou a tolerar maior volatilidade dos juros de longo prazo, com títulos de 40 anos próximos de 4%.
- Brasil aparece entre os casos mais graves entre emergentes: déficit nominal em 2024 próximo de 8% do PIB, projetado entre 8% e 8,6% em 2025; dívida bruta de ~79% do PIB, juros reais de longo prazo entre 6% e 7%; FMI projeta dívida global acima de US$ 100 trilhões em 2025, com juros mundiais em aumento.
Em Davos, o Fórum Econômico Mundial debateu a deterioração fiscal das grandes economias e a volta da pressão de mercados de dívida sobre governos. Ken Griffin, fundador da Citadel, destacou o risco sistêmico dessa trajetória.
O FMI aponta deterioração fiscal ampla. Déficit médio de economias avançadas passou de 3,3% do PIB em 2019 para mais de 5% em 2024. Nos EUA, o déficit federal ficou acima de 6% do PIB em 2024 e deve permanecer próximo disso em 2025.
A dívida federal americana ultrapassou US$ 38 trilhões, cerca de 125% do PIB. O gasto com juros já passa de US$ 1 trilhão ao ano, superando o orçamento do Departamento de Defesa.
Na Europa, o quadro é similar. A França registrou déficit de 5,8% do PIB em 2024, com dívida pública de 112% do PIB. O custo anual do serviço da dívida franceses superou 50 bilhões de euros.
O Reino Unido mantém déficit superior a 4,5% do PIB e dívida bruta entre 93% e 95% do PIB. Juros de títulos de longo prazo ficam em patamar mais elevado, em torno de 4% a 4,5%.
O Japão lidera entre as economias desenvolvidas, com dívida acima de 230% do PIB. Em 2025, o Banco do Japão tolerou maior volatilidade nos juros de longo prazo, elevando custos do serviço da dívida.
Nos emergentes, o Brasil aparece entre os casos mais graves. O déficit nominal de 2024 ficou perto de 8% do PIB, com projeção de 8% a 8,6% em 2025. A dívida bruta brasileira subiu para cerca de 79% do PIB no fim de 2025.
O custo de financiamento no Brasil é elevado: juros reais de longo prazo ficam entre 6% e 7% ao ano, frente a cerca de 2% para títulos americanos indexados à inflação. O prêmio de risco dos ativos brasileiros permanece alto.
Historicamente, o país já enfrentou ajustes profundos. Entre 2012 e 2015, o déficit primário saiu de superávit para déficit, com dívida bruta e inflação em elevação. O período resultou em perda de grau de investimento.
Griffin sinalizou o retorno dos bond vigilantes, investidores que vendem dívida soberana quando perdem confiança na trajetória fiscal. O movimento tende a avançar conforme custos de dinheiro sobem.
Para o executivo, o principal risco global não estaria no setor privado, mas na expansão contínua do gasto público nas grandes economias. Se o mercado exigir prêmios maiores para financiar a dívida, o custo do crédito tende a aumentar.
O debate em Davos, segundo analistas, reforça a necessidade de avaliações fiscais mais cautelosas. O momento sugere que ajustes fiscais mais rápidos podem evitar impactos mais amplos no custo de financiamento.
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