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Como o Agro Brasileiro Abastece a Venezuela Apesar das Sanções

Brasil registra superávit de US$ 6,95 bilhões com a Venezuela desde 2016, puxado por cereais e proteínas; tensões diplomáticas podem restringir o comércio

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Agro da Venezuela produz pouco para alimentar sua população
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  • Entre 2016 e 2025, as exportações brasileiras para a Venezuela somaram US$ 6,95 bilhões, com 10,55 milhões de toneladas, concentradas em cereais, açúcar e proteínas animais.
  • Em 2025, o Brasil vendeu US$ 474,5 milhões para a Venezuela (jan-nov); em 2024 foram US$ 919 milhões, refletindo tensões políticas que impactam acordos comerciais.
  • O setor de cereais, farinhas e preparações foi o principal motor das vendas, com US$ 2,33 bilhões e 5,57 milhões de toneladas; o pico de volume ocorreu em 2023 (940,2 mil toneladas).
  • O complexo sucroalcooleiro ficou em segundo lugar, com US$ 1,49 bilhão e 3,15 milhões de toneladas exportadas, apresentando crescimento desde 2020.
  • O complexo soja rendeu US$ 905,8 milhões, enquanto o setor de carnes somou US$ 585,4 milhões na década; a produção de frango em 2024 atingiu 548,3 mil toneladas, com desafios de insumos importados.

O agro brasileiro mantém um fluxo estável para a Venezuela, com forte participação de itens básicos de alimentação. Entre 2016 e 2025, as exportações chegaram a US$ 6,95 bilhões, em 10,55 milhões de toneladas. O destaque fica com cereais, açúcar e proteínas animais.

A relação comercial se intensificou a partir de 2020, em meio a oscilações políticas regionais. Em 2025, as tensões entre Brasil e Venezuela impactam planejamento logístico e acordos, com potencial de novas restrições comerciais.

Balança brasileira com a Venezuela

No período, o saldo é amplamente favorável ao Brasil, que exportou quase tudo para o país vizinho. Importações venezuelanas somaram apenas US$ 6,2 milhões no agregado, gerando superávit de US$ 6,95 bilhões para o Brasil.

Ao longo da década, o comércio é fortemente desigual. Produtos venezuelanos representaram menos de 0,1% do valor exportado pelo Brasil, com prioridade para pescados, cacau e cereais processados no nicho de fronteira.

Cereais, farinhas e preparações lideraram as vendas externas, com US$ 2,33 bilhões e 5,57 milhões de toneladas. Em 2023, o volume atingiu 940,2 mil toneladas, o pico anual do período.

O complexo sucroalcooleiro aparece como segundo motor do comércio, com US$ 1,49 bilhão e 3,15 milhões de toneladas exportadas. Vendas cresceram desde 2020, chegando a patamares acima de US$ 200 milhões por ano.

O setor de soja e carnes também registra números expressivos. O Complexo Soja faturou US$ 905,8 milhões, com demanda que atingiu o máximo em 2021, em torno de US$ 230 milhões.

Entre as carnes, o mercado venezuelano mostrou recuperação. Em 2022, as vendas chegaram a US$ 96,6 milhões, após quedas anteriores, somando US$ 585,4 milhões na década.

Panorama do agro venezuelano

O agronegócio da Venezuela passa por recuperação lenta, dependente de insumos importados e com papel modesto na economia. A produção de milho em 2024/25 ficou estimada em 1,36 milhão de toneladas, segundo USDA/FAS.

A área cultivada permanece restrita, mesmo com o potencial de Los Llanos. O arroz beneficiado deve entregar cerca de 407 mil toneladas, com 600 mil toneladas em casca. A alimentação venezuelana demanda esse cereal.

Na proteína animal, a avicultura é a mais dinâmica, com produção de carne de frango estimada em 548,3 mil toneladas em 2024. O setor utiliza ração de milho e farelo de soja, sujeitos a custos cambiais.

A bovinocultura brasileira aponta produção próxima de 293 mil toneladas em 2024, com desafios de sanidade, genética e infra‑abate, limitando o crescimento.

Cenário de comércio e nichos

Cacau fino e aromático aparece como nicho relevante para exportações venezuelanas, com participação de mercados como os EUA em 2024, que importaram US$ 15,3 milhões. O cacao representa valor agregado e pode abrir novas frentes externas.

Apesar de exportar pouco, a Venezuela continua importando grande parte de insumos básicos e rações. Em 2024, as importações agrícolas venezuelanas cresceram cerca de 9% em valor, segundo autoridades americanas.

Os dados de 2025 ainda não são fechados, mas indicam continuidade de dependência de insumos importados para alimentação interna. O cenário aponta para volatilidade logístico‑comercial ante tensões políticas regionais.

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