- Brasil é o maior produtor mundial de carros blindados, impulsionado pela crescente demanda causada por ataques em engarrafamentos.
- O setor movimenta cerca de R$ 3,5 bilhões por ano e a produção deve subir aproximadamente trinta e três por cento em dois anos.
- O ecossistema brasileiro envolve fabricação de vidro balístico, tecidos de proteção e painéis de blindagem de base polimérica, além da parceria entre Carbon e Volvo para exportação.
- Novos modelos de negócios surgem, como a Rhino, serviço de caronas blindadas com 300 mil usuários cadastrados e aporte inicial de 25 milhões de reais.
- Há interesse internacional e a primeira Exposição da Indústria Brasileira de Blindagem, em São Paulo, sinaliza planos de exportação para Europa, Oriente Médio e América Latina.
A produção de carros blindados no Brasil deve crescer cerca de 33% nos próximos dois anos, com faturamento em torno de R$ 3,5 bilhões por ano. O aumento coincide com o uso crescente de blindagem para proteção contra crimes violentos e episódios de assaltos em engarrafamentos, especialmente em grandes cidades.
O Brasil já lidera a blindagem mundial, fabricando quatro vezes mais unidades que o segundo colocado, o México. Empresas locais produzem vidro balístico, tecidos de proteção e painéis de polímeros, mantendo o design e o desempenho dos veículos. O ecossistema brasileiro recebe demanda tanto interna quanto externa.
Panorama do setor
A pesquisa de Bloomberg aponta que a demanda por blindagem cresce à medida que a população busca segurança adicional além de casas protegidas por muros e câmeras. A expansão ocorre entre Rio de Janeiro, São Paulo e outras metrópoles, onde o trânsito é intenso e episódios de violência são de alta visibilidade.
O setor vê evolução de modelos de negócios. A Rhino, startup fundada por Daniil Sergunin, atua como carona compartilhada com apenas veículos blindados, iniciando operações em 2024 em São Paulo. A empresa soma 300 mil usuários registrados e recebeu aportes de cerca de R$ 40 milhões.
A parceria entre a Carbon e a Volvo representa um marco da indústria. A Carbon, maior fabricante brasileira, blindando até 700 carros por mês, atua como fornecedora global para a Volvo. Carros blindados fabricados no Brasil chegam a clientes na Europa, no Oriente Médio e na América Latina.
Perspectivas e impactos
Especialistas destacam que o movimento por proteção está enraizado na realidade urbana: moradores passam longas horas no trânsito e elevam a percepção de risco. Segundo a Abrablin, associação do setor, o medo é fator decisivo para a aquisição de blindagem, com clientes que convertem veículos comuns em blindados.
O ecossistema mostra potencial para parcerias internacionais e transferência de tecnologia. Empresas estrangeiras monitoram oportunidades de cooperação, fortalecendo o polo brasileiro de blindagem. A primeira Exposição da Indústria Brasileira de Blindagem, realizada em São Paulo, reuniu players do Chile, Colômbia, Equador e Costa Rica.
Empresária de conteúdo de São Paulo relata experiências de insegurança e valida o crescimento do setor. Ela, que já utilizou carros blindados, afirma que o movimento tende a crescer, especialmente para mulheres que circulam à noite. A tendência reflete a percepção de risco elevada e a busca por mobilidade mais segura.
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