- A CSIRO planeja demitir cerca de 100 cientistas, aproximadamente um terço da equipe que trabalha no modelo climático nacional Access.
- As demissões podem impedir a Austrália de submeter projeções climáticas para grandes relatórios globais, incluindo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
- Especialistas afirmam que isso reduzirá significativamente a capacidade de prever danos futuros no país e de manter um modelo climático em padrão internacional.
- A CSIRO diz que a capacidade de ciência climática será mantida, mas reduzirá atividades em áreas como modelagem de química atmosférica e dinâmica oceânica no Indo-Pacífico.
- Críticos apontam que as demissões resultam de anos sem aumento direto de financiamento do governo; autoridades dizem ter aumentado recursos, embora os cortes afetem a modelagem climática.
O CSIRO planeja cortar cerca de 100 cargos entre os cientistas que trabalham no Access, o modelo climático nacional. A medida, prevista para ser confirmada em reunião nesta semana, faz parte de um amplo programa de redução de 300 a 350 vagas de tempo integral na área de pesquisa.
Especialistas afirmam que a perda de parte da equipe comprometeria a capacidade da Austrália de fornecer projeções climáticas para relatórios internacionais, incluindo o IPCC. O Access sustenta análises usadas por governos, cidades, indústria e produtores para planejamento futuro.
Os cortes ocorrem enquanto o governo federal publicou novo aporte financeiro ao CSIRO, voltado principalmente para infraestrutura e equipamentos. A gestão do CSIRO sustenta que a capacidade de ciência climática será mantida, com ajuste de prioridades.
Impacto no CSIRO
O grupo que gerencia o Access, liderado por CSIRO, considera reduzir atividades em áreas como modelagem atmosférica e oceânica. A equipe de referência no núcleo do modelo seria sensivelmente reduzida, segundo fontes ligadas aos trabalhos.
Críticos dentro da comunidade científica afirmam que a perda de know-how básico dificultaria a credibilidade internacional da Austrália em avaliações climáticas. Em especial, destacam o desafio de manter informações de referência para o hemisfério sul.
A CSIRO reconhece que a sustentação de dados, modelos e cenários continuará, mas com foco maior em prioridades futuras. Afirmam que a capacidade global de projeção pode sofrer impactos se a equipe for significativamente reduzida.
Contribuição internacional e IPCC
Especialistas lembram que o Access é um diferencial único para o hemisfério sul e para a compreensão de impactos locais na costa australiana. Sem a continuidade do modelo, há riscos de atrasos na participação de projeções para relatórios do IPCC.
Pesquisadores apontam ainda que, no curto prazo, o país pode depender de dados externos para manter atualizações oficiais. A reconstrução de capacidade de modelagem climática pode exigir investimentos adicionais no futuro.
A ausência de informações atualizadas poderia reduzir a influência científica australiana em cenários globais. A comunidade acadêmica solicita transparência sobre os planos de continuidade e sobre como preencher as lacunas deixadas pelas demissões.
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