- Estudo australiano mostra que espermatozoides em microgravidade tendem a se desorientar e tocam caminhos sem direção, dificultando a passagem até o óvulo, com queda de cerca de 40% no desempenho de espermatozoides humanos em ambiente simulado.
- Os experimentos utilizaram um clinóstato 3D que gira para neutralizar a gravidade, simulando o trâmite pelo trato reprodutivo feminino, sem inserir um óvulo no caso humano por razões éticas.
- Além de humanos, foram usados espermatozoides de porco e de camundongo; a microgravidade também afetou o desenvolvimento de embriões desses animais.
- A progesterona aumentou a orientação dos espermatozoides, sugerindo que esse hormônio, liberado pelo óvulo, pode ajudar na navegação; radiação também é citada como fator que pode impactar a fertilidade no espaço.
- O estudo, do Robinson Research Institute da Universidade de Adelaide em parceria com o Andy Thomas Centre for Space Resources, aponta implicações para reprodução humana e animal em ambientes de coleta de recursos espaciais e para futuras missões de exploração e assentamento em outros corpos celestes.
O estudo da Universidade de Adelaide mostra que espermatozoides expostos à microgravidade tendem a se desorientar e a se perder ao tentar alcançarem um óvulo. Os experimentos utilizaram uma máquina que simula a ausência de peso.
Pesquisadores do Robinson Research Institute dedicaram-se a entender como a fertilização poderia ocorrer no espaço, com amostras de espermatozoides humanos, de camundongos e de porcos. A pesquisa é publicada em Communications Biology.
O experimento usou uma clinóstata 3D que gira para neutralizar a gravidade e um labirinto que simula o trato reprodutivo feminino. Para motivos éticos, nenhum óvulo foi colocado na versão humana.
Os especialistas observaram queda de aproximadamente 40% no número de espermatozoides humanos que atravessaram o labirinto em microgravidade, em comparação ao grupo de controle. Ensaio também mostrou efeitos na formação de embriões de porcos e camundongos.
Os resultados indicam que a gravidade influencia a capacidade de navegação dos espermatozoides, ainda que embriões saudáveis possam se desenvolver. Os autores destacam que isso levanta possibilidades sobre reprodução em ambientes espaciais.
Implicações para a reprodução no espaço
Caso a colonização lunar ou marciana avance, entender como diferentes forças gravitacionais afetam as primeiras etapas da reprodução se torna essencial para a viabilidade de assentamentos humanos.
Programas de exploração espacial já discutem ajustes ambientais e pesquisas sobre como hormônios, como a *progesterona*, podem orientar a locomoção dos espermatozoides, conforme as equipes pesquisam as evidências iniciais.
Outra linha de investigação envolve radiação, que também pode impactar a função reprodutiva; estudos anteriores já indicam efeitos sobre a qualidade dos espermatozoides durante missões de longa duração.
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