- Bactérias profundas na Caverna Lechuguilla, no Novo México, vivem isoladas há milhões de anos e resistem a praticamente todos os antibióticos já usados na clínica.
- Os micróbios apresentam estratégias de sobrevivência variáveis, incluindo predadores que atacam outras bactérias e comunidades que extraem energia de rochas e do ambiente.
- A caverna permaneceu isolada de humanos por milênios, o que ajuda a entender a resistência natural de microrganismos sem a influência de medicamentos modernos.
- A pesquisa aponta que, embora resistentes a antibióticos naturais, esses micróbios são vulneráveis a antibióticos sintéticos ou semissintéticos, usados em tratamentos atuais.
- Cientistas veem potencial: traçar o arsenal antimicrobiano natural das cavernas pode inspirar novas drogas e ajudar a prever mecanismos de resistência, contribuindo para enfrentar a resistência antimicrobiana atualmente global.
O que aconteceu: pesquisadores estudaram bactérias em uma caverna profunda para entender a resistência a antibióticos. As micro-organismos, isolados há milhões de anos, apresentam resistência a grande parte dos antibióticos usados hoje na clínica. A descoberta pode inspirar novos fármacos.
Quem está envolvido: Hazel Barton, professora de ciências geológicas da University of Alabama, liderou coletas de amostras na Lechuguilla Cave, no Novo México. O estudo contou com a colaboração de Gerard Wright, da McMaster University, que investigou genes de resistência em solo antigo.
Quando e onde: as expedições tiveram início em 2012, quando Barton desceu à Lechuguilla, cavidade subterrânea localizada a cerca de 489 metros abaixo da superfície, no Deserto de Chihuahuan. A caverna tem 240 quilômetros de extensão e permanece praticamente isolada de atividades humanas.
Por que é relevante: bactérias da caverna apresentam resistência a praticamente todos os antibióticos naturais já usados, mesmo após milhões de anos em isolamento. Cientistas ressaltam que esse fenômeno sugere que a AMR é antiga e que a resistência pode ter raízes evolutivas profundas.
Como ocorreu a pesquisa: amostras foram coletadas por rapel em treze cordas até profundidades da caverna. Os micro-organismos mostraram resistência contra antibióticos naturais, mas foram sensíveis a antibióticos sintéticos ou semissintéticos ainda não expostos a eles.
Resultados-chave: em uma amostra, havia 38 compostos antimicrobianos diferentes, com três estruturas ainda não descritas. Esses achados indicam que o ecossistema cavernícola abriga estratégias distintas de competição entre microrganismos.
Subtítulo: Potenciais aplicações na luta contra a AMR
A investigação aponta que o estudo de microrganismos isolados pode ajudar a desenvolver novos antibióticos. Pesquisadores destacam que entender mecanismos de resistência existentes pode permitir antecipar fraquezas de novas drogas, fortalecendo estratégias clínicas no enfrentamento da AMR.
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