- O jogo Doom, lançado em 1993 pela id Software, tornou-se um marco cultural e hoje é reproduzível em dispositivos cada vez mais inusitados, desde calculadoras até eletrodomésticos e leitores de ultrassom.
- Em 2024, uma estudante de doutorado do Instituto de Tecnologia de Massachusetts conseguiu fazer o Doom rodar em bactérias do intestino, usando uma placa com 32 por 48 células para representar pixels.
- O projeto usa bactérias da espécie Escherichia coli transformadas com proteínas fluorescentes para acenderem pixels pretos ou brancos, gerando três frames do jogo com alta demora de exibição (cerca de 70 minutos por imagem).
- Pesquisas anteriores mostraram Doom rodando em neurônios vivos, como no protótipo Dishbrain da Cortical Labs, que em 2022 ensinou neurônios a jogar Pong; a versão mais recente, CL1, conseguiu rodar Doom em cerca de uma semana.
- Além de demonstração lúdica, as pesquisas com neurônios em chip buscam avanços na modelagem de doenças e na criação de biocomputadores e data centers mais eficientes energeticamente para aplicações de inteligência artificial.
O jogo Doom, lançado em 1993 pela id Software, começou como um título de tiro para MS-DOS e rapidamente se tornou um marco da indústria. Seu sucesso impulsionou versões para múltiplas plataformas, chegando aos consoles em 1994 e ao Windows 95 em 1995. Hoje, o meme do jogo alcança dispositivos inusitados e pesquisas inovadoras.
Com o passar dos anos, Doom tornou-se pauta de curiosidade tecnológica. A partir do código-fonte disponibilizado gratuitamente, entusiastas passaram a rodar o jogo em equipamentos improváveis, desde calculadoras até impressoras, câmeras e até dispositivos de uso diário. A ideia é ver o game funcionando onde menos se espera.
Em 2024, uma pesquisadora do MIT conseguiu rodar Doom em bactérias do intestino humano. A técnica envolve uma placa de microcélulas com bactérias da espécie Escherichia coli, que simulam pixels ao acender ou apagar fluorescência. O resultado é extremamente lento, mas demonstra a viabilidade de telas biológicas.
Essa linha de experimentação não se restringe às bactérias. Em fevereiro, a Cortical Labs mostrou que neurônios vivos conectados a um microchip aprenderam a jogar Doom por meio de sinais elétricos. Anteriormente, eles já haviam feito o mesmo com Pong, usando o projeto Dishbrain.
O projeto com neurônios envolve células geradas a partir de glóbulos brancos, transformados em células-tronco e depois em neurônios, cultivados no chip. Os sinais coletados do jogo orientam as células a reagirem, demonstrando aprendizado, ainda que de forma rudimentar.
Focos de pesquisa apontam para aplicações médicas e industriais. Cientistas exploram diagnósticos e desenvolvimento de drogas para doenças como epilepsia, usando neurônios fora do corpo para testes, além de avançar na construção de biocomputadores.
A visão é ampliar o uso de redes biológicas para processamento de dados. Empresas exploram a possibilidade de data centers com menor consumo de energia, em comparação às GPUs tradicionais, para suportar IA avançada. Doom funciona como piloto de demonstração.
Especialistas destacam o papel lúdico da divulgação científica. Brincadeiras com Doom ajudam a engajar o público e atrair atenção para pesquisas complexas, segundo relatos de pesquisadoras e engenheiros. A curiosidade impulsiona avanços técnicos.
Para os produtores de tecnologia, a repercussão também pode ampliar a visibilidade de iniciativas espaciais. A divulgação ao mostrar que Doom roda em plataformas inusitadas ajuda a atrair interesse público e financiamento para pesquisas e atividades de agências e universidades.
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