- Estudo publicado na revista Science mostrou que o bonobo Kanzi conseguiu identificar objetos imaginários em experimentos controlados, a primeira demonstração dessa capacidade em um animal não humano sob condições científicas.
- As descobertas sugerem que a cognição envolvida na imaginação pode remontar a 6 a 9 milhões de anos, no ancestral comum de humanos e grandes símios.
- Em um dos experimentos, Kanzi apontou a taça com o líquido imaginário; em outro, ele distinguia entre líquido real e imaginário, acertando cerca de 78% das vezes.
- Kanzi, que tinha 43 anos e vivia em cativeiro, foi criado para se comunicar com mais de 300 lexigramas (símbolos ligados a palavras) e respondia a prompts em inglês.
- A pesquisa, que não tem continuidade com Kanzi já falecido em março de 2025, abre espaço para novas investigações sobre as capacidades cognitivas de símios sem encobrir debates sobre a imaginação animal.
Kanzi, bonobo criado em cativeiro, demonstrou pela primeira vez a capacidade de imaginar objetos inexistentes em condições científicas. O estudo, publicado na Science, envolve uma série de experiências controladas realizadas com o animal.
Segundo a pesquisa conduzida por cientistas da Johns Hopkins, Kanzi identificou e acompanhou objetos imaginários em situações com copos transparentes vazios e umjarro, reforçando que a mente pode representar coisas não presentes no momento.
Os experimentos mostraram que, ao perguntar onde estaria o líquido imaginário, Kanzi apontou para a taça correspondente a algo não real. Em outra etapa, ele distinguiu entre líquido de verdade e imaginação em copos.
Em mais uma rodada, o pesquisador substituiu o conteúdo real por pretendido, e Kanzi escolheu com base na diferença entre o que era real e o que era imaginado, obtendo resultados semelhantes aos anteriores.
A equipe destaca que o desempenho de Kanzi sugere que a capacidade de imaginar pode ter raízes evolutivas que remontam a 6 a 9 milhões de anos, compartilhadas com humanos e outros grandes símios. O achado amplia o entendimento sobre a cognição animal.
Coautora do estudo, Amalia Bastos, lembra que a pesquisa mostra que a mente pode gerar ideias de objetos imaginários e entender que não correspondem à realidade. A pesquisadora hoje atua na Universidade de St. Andrews, na Escócia.
Kanzi viveu até 44 anos, faleceu em março de 2025, o que inviabilizou novas experiências com ele. Os cientistas pretendem investigar questionamentos semelhantes com outros símios, incluindo indivíduos sem treinamento extensivo de linguagem humana.
A obra de Jane Goodall é citada pela equipe como exemplo de mudança de percepção sobre o que caracteriza a humanidade. Os autores destacam a importância de reconhecer a vida mental complexa em outras espécies e de promover a conservação.
Fontes citadas incluem a Johns Hopkins University, a Science e a Smithsonian, que reportaram as etapas e interpretações dos experimentos realizados com Kanzi.
Observação: a pesquisadora Amalia Bastos e o coautor Christopher Krupenye assinam o estudo que traz evidências sobre a representação de objetos pretendidos por Kanzi.
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