- O Clube Alpino Austríaco informou que 94 dos 96 glaciares avaliados na Áustria encolheram em comprimento, área e volume.
- Muitos glaciares não apenas diminuem de tamanho, mas entram em uma fase de desintegração estrutural.
- O Alpeiner Ferner, em Tirol, encolheu 114,3 metros, e o Stubacher Sonnblickkees, em Salzburgo, perdeu 103,9 metros.
- O Pasterze, o maior glaciar da Áustria, continua a encolher e pode se partir em dois nos próximos anos.
- As causas apontadas são mudanças climáticas, com inverno quente e pouca neve, e início de verão excepcionalmente quente; temperaturas de alta altitude cerca de 2 °C acima da média histórica.
O clube Alpino Austríaco afirma que as geleiras dos Alpes da Áustria não apenas encolhem, mas estão se desintegrando devido ao aquecimento global. O relatório anual aponta redução drástica no comprimento, área e volume das geleiras analisadas.
Segundo o pesquisador Andreas Kellerer-Pirklbauer, da Universidade de Graz, muitas geleiras estão entrando em uma fase de desintegração estrutural, com recortes rochosos expostos, trechos de gelo que se desintegraram e tongues de geleiras que colapsam sobre si mesmos, moldando a paisagem.
O levantamento do clube mostrou que 94 das 96 geleiras medidas no último ano encolheram. Entre elas, Alpeiner Ferner, em Tirol, perdeu 114,3 metros, e Stubacher Sonnblickkees, em Salzburgo, reduziu 103,9 metros. A Pasterze, maior geleira do país, em Caríncia, também continua a diminuir, com provável rompimento do tongue nos próximos anos.
Causas e impactos
O relatório atribui o recuo a mudanças climáticas, destacando um inverno mais quente com pouca neve e um começo de verão excepcionalmente quente, com junho cerca de 5 °C acima da média. Temperaturas nos postos de alta montanha ficaram 2 °C acima da média de longo prazo.
Gerhard Lieb, co-responsável pelo serviço de monitoramento de geleiras, aponta que as condições climáticas recentes foram extremamente desfavoráveis. Ele afirma que muitas geleiras perdem massa a ponto de não reagirem a curtos períodos de queda de temperatura, como ocorrências pontuais no verão de 2025.
Os cientistas destacam que a tendência é visível na região dos Alpes, com temperatura cada vez mais alta ao longo do tempo. Eventos climáticos mais extremos e riscos a infraestrutura alpina devem aumentar, conforme o relatório.
Nicole Slupetzky, vice-presidente do clube, ressalta que o declínio não é mais uma hipótese futura, mas uma realidade presente. A prioridade passa a ser mitigar os impactos para as comunidades e para a paisagem.
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