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Glaciares austríacos se desintegram devido à mudança climática, dizem cientistas

Alpes austríacos: geleiras se desintegram por aquecimento global; 94 de 96 encolheram, Pasterze pode romper-se em breve e a infraestrutura alpina fica em risco

A scientist takes a photo as part of an annual monitoring project of Austrian glaciers administered by the Austrian Alpine Association in 2023. In the background the glacier slopes down the rocky mountainside, while in the foreground chunks of ice are in a stream.
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  • O Clube Alpino Austríaco informou que 94 dos 96 glaciares avaliados na Áustria encolheram em comprimento, área e volume.
  • Muitos glaciares não apenas diminuem de tamanho, mas entram em uma fase de desintegração estrutural.
  • O Alpeiner Ferner, em Tirol, encolheu 114,3 metros, e o Stubacher Sonnblickkees, em Salzburgo, perdeu 103,9 metros.
  • O Pasterze, o maior glaciar da Áustria, continua a encolher e pode se partir em dois nos próximos anos.
  • As causas apontadas são mudanças climáticas, com inverno quente e pouca neve, e início de verão excepcionalmente quente; temperaturas de alta altitude cerca de 2 °C acima da média histórica.

O clube Alpino Austríaco afirma que as geleiras dos Alpes da Áustria não apenas encolhem, mas estão se desintegrando devido ao aquecimento global. O relatório anual aponta redução drástica no comprimento, área e volume das geleiras analisadas.

Segundo o pesquisador Andreas Kellerer-Pirklbauer, da Universidade de Graz, muitas geleiras estão entrando em uma fase de desintegração estrutural, com recortes rochosos expostos, trechos de gelo que se desintegraram e tongues de geleiras que colapsam sobre si mesmos, moldando a paisagem.

O levantamento do clube mostrou que 94 das 96 geleiras medidas no último ano encolheram. Entre elas, Alpeiner Ferner, em Tirol, perdeu 114,3 metros, e Stubacher Sonnblickkees, em Salzburgo, reduziu 103,9 metros. A Pasterze, maior geleira do país, em Caríncia, também continua a diminuir, com provável rompimento do tongue nos próximos anos.

Causas e impactos

O relatório atribui o recuo a mudanças climáticas, destacando um inverno mais quente com pouca neve e um começo de verão excepcionalmente quente, com junho cerca de 5 °C acima da média. Temperaturas nos postos de alta montanha ficaram 2 °C acima da média de longo prazo.

Gerhard Lieb, co-responsável pelo serviço de monitoramento de geleiras, aponta que as condições climáticas recentes foram extremamente desfavoráveis. Ele afirma que muitas geleiras perdem massa a ponto de não reagirem a curtos períodos de queda de temperatura, como ocorrências pontuais no verão de 2025.

Os cientistas destacam que a tendência é visível na região dos Alpes, com temperatura cada vez mais alta ao longo do tempo. Eventos climáticos mais extremos e riscos a infraestrutura alpina devem aumentar, conforme o relatório.

Nicole Slupetzky, vice-presidente do clube, ressalta que o declínio não é mais uma hipótese futura, mas uma realidade presente. A prioridade passa a ser mitigar os impactos para as comunidades e para a paisagem.

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