- O Ministério da Saúde iniciou o tratamento inédito com tafenoquina pediátrica 50 mg para crianças entre 10 kg e 35 kg, tornando o Brasil o primeiro país a oferecer a droga nessa faixa etária pelo SUS.
- Serão distribuídos 126.120 comprimidos, com investimento de R$ 970 mil, em entregas graduais com foco em áreas prioritárias da região Amazônica.
- Os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) Yanomami, Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes concentram cerca de 50% dos casos em crianças e jovens até 15 anos, com Yanomami recebendo 14.550 comprimidos na primeira etapa.
- O tratamento em dose única facilita adesão, reduz recaídas e pode contribuir para a interrupção da transmissão; também haverá treinamento de 250 profissionais de saúde dos DSEI prioritários.
- A tafenoquina 50 mg foi incorporada ao SUS pela Portaria nº 64, de 15 de setembro de 2025, como parte de estratégias para combater a malária por Plasmodium vivax, especialmente em áreas remotas.
O Ministério da Saúde iniciou, no SUS, um tratamento inédito contra a malária voltado a crianças. A tafenoquina na formulação pediátrica de 50 mg passa a ser indicada para menores de 10 kg a 35 kg, tornando o Brasil o primeiro país a disponibilizá-la nessas faixas. A malária infantil representa cerca de metade dos casos no país.
O medicamento chegou com recursos de aproximadamente R$ 970 mil e distribuição inicial de 126.120 comprimidos. A entrega começou na última segunda-feira e ocorre de forma gradual, com foco em áreas prioritárias da Amazônia. A iniciativa visa ampliar o controle da doença em território nacional.
Weibe Tapeba, secretário de Saúde Indígena, destacou investimentos para levar tratamentos eficazes aos povos tradicionais. Os primeiros treinamentos de profissionais do DSEI Leste ocorreram, com ampliação prevista para sete Distritos Sanitários Especiais Indígenas em todo o país.
Quantidade e distribuição
Ao todo, o Ministério recebeu 64.800 comprimidos para regiões com maior incidência, como Yanomami, Alto Rio Negro, Rio Tapajós, Manaus, Vale do Javari e Médio Rio Solimões e Afluentes. Esses territórios concentram cerca de 50% dos casos em crianças e adolescentes até 15 anos. O DSEI Yanomami será o primeiro contemplado, com 14.550 comprimidos.
Em 2024, a Tafenoquina 150 mg já havia sido liberada para maiores de 16 anos no território Yanomami, integrando uma estratégia de melhoria do tratamento em áreas mais atingidas. A versão pediátrica amplia o alcance do medicamento, alinhada às diretrizes da OMS.
A incorporação da dose única busca facilitar adesão, reduzir o parasita e prevenir recaídas, contribuindo para interromper a transmissão. O Ministério realizou oficinas de capacitação para 250 profissionais dos DSEI prioritários.
Aspectos regulatórios e regionalização
A Tafenoquina 50 mg foi incorporada por meio da Portaria nº 64, de 15 de setembro de 2025, após registro na Anvisa. O fármaco é indicado para malária por Plasmodium vivax em crianças com peso acima de 10 kg, sem gravidez ou amamentação, com dose única que facilita o tratamento.
Na prática, a nova apresentação permite ajuste de dose conforme o peso, elevando a eficácia e a comodidade para famílias e profissionais. A medida reforça o enfrentamento da doença em regiões remotas, ampliando a cobertura do SUS.
Região Amazônica e monitoramento
A malária continua sendo desafio central na Amazônia, especialmente em áreas de difícil acesso e territórios indígenas. O Ministério da Saúde intensifica monitoramento, controle vetorial e busca ativa, além da oferta de testes rápidos. Entre 2023 e 2025, o Yanomami registrou avanços significativos em testes, diagnósticos e redução de óbitos.
Weibe ressaltou que o fortalecimento das equipes de saúde, com contratação de profissionais e agentes de endemias, auxilia diagnóstico precoce e tratamento adequado, contribuindo para a redução de casos e mortes nos territórios indígenas.
Panorama nacional
A malária integra o Programa Brasil Saudável, que reúne múltiplos ministérios e parceiros para enfrentar problemas sociais e ambientais que afetam a saúde. Em 2025, o Brasil registrou o menor número de casos desde 1979, com queda de 15% frente a 2024 e redução de 16% em áreas indígenas. As ocorrências de Plasmodium falciparum também recuaram 30%.
A tafenoquina para vivax tem mostrado eficácia na redução de recaídas e transmissão, complementada pelo uso de artesunato e mefloquina em combinações terapêuticas. A ampliação de diagnósticos rápidos e a distribuição de mosquiteiros impregnados também fortalecem o controle da malária no país.
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