- Tatiana Coelho de Sampaio, bioquímica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é responsável pelo desenvolvimento da polilaminina, molécula sintética para potencial regenerativo de lesões na medula espinhal.
- Em participação no programa Roda Viva, ela foi questionada sobre a associação da laminina a uma cruz nas redes sociais, e afirmou que a forma da laminina é de cruz, sem julgar o uso religioso da imagem.
- A pesquisadora destacou a diferença entre ciência e fé, defendendo que pode usar os dois chapéus e que a ciência não é a única dimensão da condição humana.
- A polilaminina é derivada da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário do sistema nervoso, e busca promover a reconexão de fibras nervosas após traumas.
- Em estudo com oito pacientes com lesões medulares graves, seis tiveram recuperação parcial e um readquiriu a capacidade de andar; a polilaminina está em fase clínica com estudos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, participou do programa Roda Viva na segunda-feira (23) para falar sobre a polilaminina, molécula sintética criada para estimular a regeneração de lesões na medula espinhal. A entrevista abordou a relação entre a descoberta científica e o simbolismo religioso que cercou a laminina, base da polilaminina.
Durante o programa, o jornalista questionou a repercussão nas redes sociais que associou o formato da laminina a uma cruz. Tatiana afirmou que a laminina tem uma configuração em cruz, o que é um fato científico, e destacou que interpretações religiosas são questões de fé que cabem aos indivíduos, não à sua avaliação profissional.
A pesquisadora ressaltou a separação entre ciência e fé na prática diária. Ela diz manter fronteiras claras entre o que é comprovável cientificamente e o que pertence a crenças pessoais, afirmando que pode atuar como cientista e como pessoa, sem que os papéis se confundam.
Contexto científico
Tatiana Coelho de Sampaio já atua há mais de duas décadas no estudo da polilaminina, derivada da laminina natural presente no desenvolvimento embrionário do sistema nervoso. A molécula é vista como potencial agente para reconectar fibras nervosas danificadas por traumas medulares.
A polilaminina é atualmente experimental. Pesquisas estão em andamento e passam pela avaliação da Anvisa para eventual continuidade em estudos clínicos, visando tratamentos para paraplegia e tetraplegia. Resultados preliminares em oito pacientes mostraram algumas recuperações aquém do esperado, com seis indivíduos apresentando melhora parcial e um readquirindo a capacidade de andar.
Situação clínica e perspectivas
A molécula já recebeu o rótulo de estudo de laboratório a tratamento promissor, mas permanece em etapa experimental. A comunidade científica acompanha a evolução de ensaios clínicos, bem como os aspectos regulatórios, que vão determinar novas fases de pesquisa e eventual aplicação terapêutica.
A discussão pública sobre a ligação entre ciência e símbolos religiosos continua a ter espaço, porém não altera os dados técnicos disponíveis. Especialistas destacam a importância de comunicar resultados com clareza, separando evidências científicas de interpretações culturais ou religiosas.
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