- Estudo publicado na revista Science investigou o efeito Bouba-Kiki em pintinhos recém-nascidos, realizado por pesquisadoras da Universidade de Pádua, na Itália.
- Primeiro experimento contou com 42 pintinhos de três dias e envolveu treinamento com um painel ambíguo; ao testar, 66% escolheram o formato redondo ao ouvir “bouba” e 56% optaram pelo formato pontiagudo ao ouvir “kiki”.
- No segundo experimento, 40 pintinhos com menos de um dia de vida foram expostos a imagens ambíguas sem recompensa; ao ouvir “bouba”, os animais exploraram mais a área redonda, e ao ouvir “kiki”, a área pontuda teve maior exploração.
- Em primatas não humanos o efeito não é observado, o que alimenta debates sobre metodologias e se o fenômeno é instintivo ou aprendido.
- Os resultados sugerem uma possível organização neural comum entre espécies, mas são necessários mais estudos para confirmar e entender o mecanismo.
O efeito Bouba-Kiki pode existir em animais além de humanos. Uma pesquisa publicada na revista Science examinou se pintinhos recém-nascidos acompanham a associação entre som e forma. O estudo foi conduzido por pesquisadoras da Universidade de Pádua, na Itália. Os experimentos envolveram pintinhos de diferentes idades.
No primeiro experimento, realizado com 42 pintinhos de três dias, o ambiente incluía painéis com uma figura ambígua entre Bouba e Kiki. Após treinos de localização, os animais enfrentaram dois painéis, um redondo e outro pontiagudo, ao som de Bouba ou Kiki. Não houve recompensa durante o teste.
Resultados indicaram que 66% dos pintinhos circularam o painel redondo ao ouvir Bouba, enquanto 56% preferiram o painel pontiagudo ao ouvir Kiki. No segundo experimento, com 40 pintinhos recém-nascidos, não houve alimentação durante a ambientação; a preferência foi medida apenas pela exploração das imagens.
Nessa segunda etapa, os pintinhos ouviram Bouba ou Kiki enquanto escolhiam entre áreas redonda e pontiaguda na tela. Ao Bouba, exploraram mais tempo a área redonda (199 vs 57 segundos). Ao Kiki, houve maior exploração da área pontiaguda (144 vs 44 segundos).
Até o momento, estudos com primatas não humanos não costumam ver o efeito Bouba-Kiki. Os autores destacam que a diferença pode refletir métodos distintos entre pesquisas ou indicar uma base neurológica compartilhada entre espécies.
Os pesquisadores ressaltam que o achado sugere uma organização do cérebro que atravessa espécies, ligada à percepção de forma e som. Porém, é preciso mais investigação para confirmar se o fenômeno é universal ou específico de certas abordagens experimentais.
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