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Memórias cristalinas poderiam reduzir emissões de centros de dados, segundo estudo

Cristais de memória em vidro prometem armazenar dados por milênios com leitura em cinco dimensões, visando reduzir as emissões dos data centers

SPhotonix Ilya Kazansky, CEO of Sphotonix wearing a white lab coat and blue latex gloves holds up a small square glass plate with grid markings on it to see through it (Credit: SPhotonix)
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  • Cientistas, liderados por Peter Kazansky, desenvolveram cristais de memória em vidro fused silica que codificam dados em cinco dimensões, atingindo densidade teórica de até 360 terabytes em uma placa de vidro de 5 polegadas.
  • A leitura dos dados ocorre com um microscópio óptico específico que detecta intensidade e polarização da luz; a escrita consome energia, mas a leitura não exige energia adicional.
  • A startup SPhotonix, criada em 2024, levantou cerca de US$ 4,5 milhões e pretende testar protótipos em data centers nos próximos anos; velocidade atual de leitura é de aproximadamente 30 MB/s, com meta de 500 MB/s em três a cinco anos.
  • A memória de cristais compete com a ideia de armazenar dados em DNA; a Microsoft tem explorado armazenamento em vidro borossilicato, com promessa de até 10.000 anos, mas ainda não é comercial.
  • A busca por soluções de longo prazo surge diante do aumento das emissões de data centers, com especialistas defendendo melhorias na infraestrutura, eficiência energética e, possivelmente, novas formas de armazenamento.

A memória que desafia a física pode mudar o armazenamento de dados. Pesquisadores japoneses, na década de 1990, observaram um fenômeno inédito ao gravar vidro com lasers ultrarrápidos. A partir disso, surgiu a ideia de armazenar informações dentro de materiais transparentes, com potencial para alta densidade e durabilidade.

Kozansky, pesquisador britânico, acompanhou os experimentos na Kyoto University. A surpresa veio quando a luz não se comportou como esperado ao atravessar o vidro laserado, revelando estruturas internas minúsculas formadas por explosões microelétricas dos feixes. A descoberta abriu caminho para armazenar dados em padrões tridimensionais.

A partir dessas observações, surgiram estruturas nanométricas no vidro, cuja leitura é feita por microscópio óptico que detecta alterações na intensidade e na polarização da luz. Segundo o pesquisador, é possível codificar dados em cinco dimensões, combinando orientação, intensidade e a localização de voxels, aumentando a densidade de armazenamento.

A empresa fundada por Kazansky em 2024, junto ao filho, já arrecadou cerca de 4,5 milhões de dólares e negocia com empresas de tecnologia a aplicação de protótipos em centros de dados nos próximos anos. O objetivo é aperfeiçoar a tecnologia para torná-la robusta o suficiente para uso comercial, com leituras previstas de 30 MB/s hoje a 500 MB/s em alguns anos.

Para leitura, o sistema usa um microscópio óptico com câmera capaz de detectar a intensidade da luz e sua polarização. A promessa é de armazenamento essencialmente permanente, desde que protegido, com energia necessária apenas para escrever, não para manter os dados. A técnica atual utiliza vidro de sílica, conhecido pela durabilidade.

Desafios e perspectivas também aparecem. Pesquisadores de outras instituições destacam barreiras de adoção, principalmente pela falta de compatibilidade com infraestruturas existentes. A visão de alguns especialistas é de que o caminho para uso maciço ainda depende de avanços que tornem o armazenamento compatível com tecnologias atuais.

Enquanto isso, outra linha de pesquisa mira o armazenamento em DNA. A ideia, estudada desde os anos 1960, sustenta que um grama de DNA poderia comportar dezenas de centenas de petabytes, com leitura estável ao longo de milhares de anos. O custo de leitura tem caído, mas o custo de escrita continua alto, o que dificulta a adoção comercial ampla.

Especialistas ressaltam que o DNA pode ter vantagem na leitura a longo prazo, devido à disponibilidade de aplicações médicas. No curto prazo, tecnologias baseadas em vidro aberto e em silício continuam mais próximas de aplicações cotidianas, especialmente para tarefas de armazenação de longo prazo de grandes volumes.

Empresas de tecnologia têm investido em parcerias para explorar o tema. A Microsoft, por exemplo, apoiou pesquisas que mostram armazenamento de dados em vidro com técnicas de leitura de alta densidade. Em 2026, a empresa divulgou avanços com vidro borossilicato, mais barato e durável, projetando armazenamento de até 10 mil anos, sem, ainda, comercialização anunciada.

Especialistas em computação sustentável ressaltam que o caminho não é apenas lidar com o armazenamento, mas também com a eficiência energética geral dos data centers. Melhorias em processadores, refrigeração avançada e eficiência de software aparecem como estratégias de curto prazo para reduzir o consumo de energia, especialmente para dados quentes.

A discussão sobre custos, compatibilidade e rapidez indica que ainda há um longo caminho para substituições generalizadas. Questões sobre leitura contínua de dados, durabilidade em diferentes ambientes e infraestrutura associadas seguem em avaliação pela comunidade científica e pela indústria.

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