- O secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., afirmou que a dieta cetogênica pode curar esquizofrenia, o que pesquisadores contestam com base em evidências limitadas.
- O médico mencionado por Kennedy Jr. é o psiquiatra da Universidade de Harvard, Dr. Christopher Palmer, que disse ter usado o termo “cura” em nenhum de seus trabalhos e ressaltou que a dieta cetogênica pode induzir remissão de sintomas, não curar definitivamente.
- Palmer publicou dois relatos de caso, em 2019, sobre mulheres com esquizofrenia que, ao seguirem a cetose por motivos de saúde, apresentaram melhoria dos sintomas; os relatos ressaltam que não são estudos controlados.
- Os relatos também mostram que uma das pacientes precisou retomar medicação após interrompê-la abruptamente, incidente que resultou em hospitalização, destacando a necessidade de supervisão médica.
- Atualmente, cerca de vinte ensaios clínicos controlados investigam a eficácia da cetose para diferentes transtornos psiquiátricos, incluindo esquizofrenia e transtorno bipolar, em busca de entender mecanismos e benefícios potenciais.
Robert F Kennedy Jr, secretário de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, foi questionado por especialistas após afirmar que uma dieta keto curou esquizofrenia, durante uma turnê de divulgação de uma nova pirâmide alimentar. A declaração ligou o keto a potenciais efeitos curativos em condições mentais, em meio a uma cautela da comunidade científica.
Defensores da prática ressaltam que há indícios de que a dieta cetogênica, supervisionada, pode facilitar a remissão de sintomas em alguns casos e melhorar efeitos colaterais de tratamentos, mas os especialistas destacam que as evidências ainda são limitadas e não comprovam cura. Históricos de estudos citam apenas relatos de casos.
Duas publicações de 2019 descrevem remissão parcial de sintomas em duas mulheres com esquizofrenia que já usavam a dieta cetogênica por outras razões. Os autores alertam que relatos de casos não costumam confirmar eficácia, exigindo pesquisas mais rigorosas e controladas.
Contexto científico
Palmer, médico de Harvard citado na discussão, enfatiza que não afirma ter curado qualquer doença mental. Ele aponta que a dieta cetogênica pode ser uma ferramenta terapêutica poderosa e pode induzir remissão de sintomas, ainda que não haja comprovação de cura. Ele ainda ressalta a necessidade de supervisão médica para qualquer interrupção de medicamentos. Até o momento, existem cerca de 20 ensaios controlados em andamento avaliando o keto para transtornos psiquiátricos, incluindo esquizofrenia e transtorno bipolar.
Pesquisas em andamento investigam mecanismos por trás do possível efeito, com foco na função mitocondrial — associada a diversos transtornos psiquiátricos. Profissionais de universidades como Maryland e Edimburgo participam de estudos sobre como a dieta altera o metabolismo cerebral e os sinais neuroquímicos, com resultados ainda preliminares.
Perspectivas e desafios
Especialistas destacam que testes clínicos costumam durar semanas a meses e questionam a viabilidade de manter a dieta cetogênica a longo prazo, devido a restrições alimentares e custos. Pesquisadores observam variações na relação gordura/carboidratos entre indivíduos para manter a cetose, o que pode exigir ajustes. Um possível benefício seria a redução de alguns efeitos colaterais de medicamentos psiquiátricos, além de impacto direto nos sintomas.
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