Em Alta NotíciasFutebolPolíticaBrasilEsportes

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Especialistas dizem não haver evidências de que dieta keto cure esquizofrenia

Especialistas contestam afirmação de Robert F. Kennedy Jr. sobre cura por dieta cetogênica; relatos de caso indicam remissão de sintomas, sem evidência controlada

Secretary of Health and Human Services, Robert F Kennedy Jr, speaks at The Heritage Foundation on 9 February 2026 in Washington.
0:00
Carregando...
0:00
  • O secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., afirmou que a dieta cetogênica pode curar esquizofrenia, o que pesquisadores contestam com base em evidências limitadas.
  • O médico mencionado por Kennedy Jr. é o psiquiatra da Universidade de Harvard, Dr. Christopher Palmer, que disse ter usado o termo “cura” em nenhum de seus trabalhos e ressaltou que a dieta cetogênica pode induzir remissão de sintomas, não curar definitivamente.
  • Palmer publicou dois relatos de caso, em 2019, sobre mulheres com esquizofrenia que, ao seguirem a cetose por motivos de saúde, apresentaram melhoria dos sintomas; os relatos ressaltam que não são estudos controlados.
  • Os relatos também mostram que uma das pacientes precisou retomar medicação após interrompê-la abruptamente, incidente que resultou em hospitalização, destacando a necessidade de supervisão médica.
  • Atualmente, cerca de vinte ensaios clínicos controlados investigam a eficácia da cetose para diferentes transtornos psiquiátricos, incluindo esquizofrenia e transtorno bipolar, em busca de entender mecanismos e benefícios potenciais.

Robert F Kennedy Jr, secretário de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, foi questionado por especialistas após afirmar que uma dieta keto curou esquizofrenia, durante uma turnê de divulgação de uma nova pirâmide alimentar. A declaração ligou o keto a potenciais efeitos curativos em condições mentais, em meio a uma cautela da comunidade científica.

Defensores da prática ressaltam que há indícios de que a dieta cetogênica, supervisionada, pode facilitar a remissão de sintomas em alguns casos e melhorar efeitos colaterais de tratamentos, mas os especialistas destacam que as evidências ainda são limitadas e não comprovam cura. Históricos de estudos citam apenas relatos de casos.

Duas publicações de 2019 descrevem remissão parcial de sintomas em duas mulheres com esquizofrenia que já usavam a dieta cetogênica por outras razões. Os autores alertam que relatos de casos não costumam confirmar eficácia, exigindo pesquisas mais rigorosas e controladas.

Contexto científico

Palmer, médico de Harvard citado na discussão, enfatiza que não afirma ter curado qualquer doença mental. Ele aponta que a dieta cetogênica pode ser uma ferramenta terapêutica poderosa e pode induzir remissão de sintomas, ainda que não haja comprovação de cura. Ele ainda ressalta a necessidade de supervisão médica para qualquer interrupção de medicamentos. Até o momento, existem cerca de 20 ensaios controlados em andamento avaliando o keto para transtornos psiquiátricos, incluindo esquizofrenia e transtorno bipolar.

Pesquisas em andamento investigam mecanismos por trás do possível efeito, com foco na função mitocondrial — associada a diversos transtornos psiquiátricos. Profissionais de universidades como Maryland e Edimburgo participam de estudos sobre como a dieta altera o metabolismo cerebral e os sinais neuroquímicos, com resultados ainda preliminares.

Perspectivas e desafios

Especialistas destacam que testes clínicos costumam durar semanas a meses e questionam a viabilidade de manter a dieta cetogênica a longo prazo, devido a restrições alimentares e custos. Pesquisadores observam variações na relação gordura/carboidratos entre indivíduos para manter a cetose, o que pode exigir ajustes. Um possível benefício seria a redução de alguns efeitos colaterais de medicamentos psiquiátricos, além de impacto direto nos sintomas.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais