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Pesquisadora que descobriu a polilaminina diz que é a ‘proteína de Deus’

Polilaminina, molécula criada na UFRJ, inicia fase I no Brasil; estudo registra recuperações parciais em lesões medulares dentro da janela terapêutica de até 72 horas

Pesquisadora que descobriu a polilaminina diz que ela é a “proteína de Deus”
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  • A bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ, criou a polilaminina, molécula sintética que pode estimular a regeneração de fibras nervosas em traumas medulares.
  • A substância é produzida a partir da laminina e tem o objetivo de religar axônios danificados em quadros de paraplegia e tetraplegia.
  • Em estudo preliminar entre 2018 e 2021, com oito pacientes, seis apresentaram recuperação parcial da mobilidade e um voltou a andar.
  • O tratamento deve ocorrer em até 72 horas após o trauma; em lesões crônicas (mais de três a quatro meses) as chances de regeneração diminuem.
  • A polilaminina está em estágio experimental: a Anvisa autorizou, em janeiro de 2026, o início de estudo clínico de fase um com cinco voluntários. Cerca de dezenove pacientes conseguiram acesso ao tratamento via decisões judiciais, sem participação no protocolo de pesquisa.

A pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, vinculada à UFRJ, desenvolveu a polilaminina, uma molécula sintética capaz de estimular a regeneração de fibras nervosas em casos de traumas medulares. A descoberta envolve a transformação da laminina humana em uma substância para tratamento experimental de lesões na medula. O objetivo é religar axônios danificados pela paraplegia ou tetraplegia.

Em estudo conduzido entre 2018 e 2021, a pesquisa contou com a colaboração do laboratório Cristália. Foram 8 pacientes com lesões graves, submetidos à aplicação da polilaminina. Seis apresentaram mobilidade parcialmente recuperada e um voltou a deambular, segundo dados preliminares não revisados por pares.

A aplicação precisa ocorrer dentro de 72 horas após o trauma, prazo considerado janela terapêutica. Em lesões crônicas, com mais de três a quatro meses, as chances de regeneração reduzem-se devido a processos patológicos já instalados. O primeiro paciente brasileiro a receber o tratamento foi Luiz Otávio Santos Nunez, 19 anos, tetraplégico após acidente com arma de fogo.

Situação regulatória e acesso por via judicial

Em janeiro de 2026, a Anvisa autorizou o início de estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança da polilaminina em cinco voluntários com lesões agudas completas da medula torácica. A autorização acompanha a validação de protocolos de pesquisa oficiais.

Paralelamente, cerca de 19 pacientes obtiveram acesso ao tratamento por meio de decisões judiciais. A Cristália informou que, nesses casos, as doses são cedidas gratuitamente, porém o acompanhamento ocorre de forma passiva, sem integração ao protocolo de pesquisa.

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