- Um estudo, publicado em 2025, aponta que filhos de trabalhadores que atuaram na limpeza de Chernobyl apresentam mutações agrupadas (cDNMs) no DNA em maior quantidade que filhos de pessoas não expostas.
- Em média, esses filhos têm 2,65 mutações agrupadas, contra 1,48 em filhos de operadores de radar e 0,88 no grupo de controle.
- O aumento está ligado à dose de radiação recebida pelo pai: maior exposição resulta em mais cDNMs nos filhos.
- Mesmo com o aumento, as mutações são pequenas e não foram associadas a doenças nos participantes; o efeito fica abaixo do impacto de outros fatores, como a idade paterna.
- A idade do pai é um fator mais relevante, acrescentando aproximadamente 1–2 mutações por ano de idade, o que supera o efeito observado da radiação.
Na madrugada de 26 de abril de 1986, ocorreu a explosão no reator 4 de Chernobyl, na Ucrânia. Trabalhadores, bombeiros e civis ficaram expostos à radiação durante a limpeza do local. A pesquisa atual analisa impactos no DNA das futuras gerações.
Um estudo publicado em 2025 no Scientific Reports avaliou 1.515 pessoas e seus genitores. Os pesquisadores dividiram os participantes em três grupos: filhos de trabalhadores da limpeza de Chernobyl, filhos de operadores de radar alemães expostos à radiação e um grupo de controle sem histórico de exposição relevante.
Os resultados indicam mutações agrupadas no DNA dos filhos. Em média, foram encontradas 2,65 cDNMs no grupo de Chernobyl, 1,48 no grupo de radar e 0,88 no grupo controle. A comparação mostra aumento próximo de três vezes entre Chernobyl e controle.
Resultados principais e limites
A dose de radiação recebida pelos pais, quanto maior, maior a tendência de aparecerem cDNMs nos filhos, o que sugere relação causal. No entanto, os autores ressaltam que o aumento é pequeno frente ao total de mutações naturais.
Mesmo com o aumento observado, nenhum participante apresentou doença associada às mutações. A equipe aponta que grandes fatores, como a idade paterna, exercem influência maior sobre o número de mutações transmitidas.
A radiação ionizante pode causar quebras no DNA, com reparos imperfeitos que se manifestam como mutações agrupadas. Técnicas modernas de sequenciamento tornaram possível detectar esse tipo de marca genética.
Contexto e limitações
A comparação envolve grupos com características distintas e a exposição histórica ocorreu há décadas, o que complica a quantificação exata. Ainda assim, o padrão observado permanece consistente com a hipótese de efeito da radiação.
Os autores ressaltam que a probabilidade de uma doença surgir por cDNMs em filhos de pais expostos é mínima. A maior influência vem de fatores não relacionados à radiação, como a idade parental.
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