- Estudo mostra que o vírus chikungunya pode ser transmitido por mosquitos em grande parte da Europa, com o Aedes albopictus como vetor.
- A transmissão é possível por mais de seis meses por ano em países do sul da Europa (como Espanha, Grécia e outros), e por três a cinco meses no Reino Unido e na região norte da Europa, com aquecimento contínuo.
- O limite mínimo de temperatura para a transmissão foi estimado entre 13 °C e 14 °C, mais baixo que estimativas anteriores.
- A pesquisa analisou cinquenta estudos sobre o chikungunya em mosquitos-tigre e reforça que a expansão norte da doença é apenas uma questão de tempo.
- Autoridades destacam a importância de ações de prevenção, vigilância e educação comunitária para evitar a proliferação do mosquito e futuras surtos.
O estudo divulgado pela Royal Society Interface alerta que a chikungunya pode ser transmitida por mosquitos em grande parte da Europa. A pesquisa analisa o papel do aquecimento global na expansão da doença, causada por picadas do mosquito Aedes albopictus, também conhecido como mosquito-tigre asiático. A conclusão aponta que a transmissão pode ocorrer por mais meses do ano em países mediterrâneos e, em algumas regiões, quase o ano inteiro.
A equipe liderada por Sandeep Tegar, do UK Centre for Ecology and Hydrology (UKCEH), avaliou dados de várias pesquisas anteriores para entender a relação entre temperatura e o tempo de incubação do vírus no mosquito. O estudo detectou que a temperatura mínima para transmissão é 2,5°C mais baixa do que estimativas anteriores, o que representa uma diferença relevante para a expansão do risco.
O trabalho indica que, em países como Espanha, Grécia e Itália, a transmissão pode ocorrer por mais de seis meses ao ano. Em nações da Europa central, como Bélgica, França e Alemanha, o período estimado varia entre três e cinco meses anuais. A hipótese é que temperaturas mais altas permitam a persistência do vírus no mosquito por mais tempo.
Entre as principais mudanças previstas, o estudo aponta o avanço da mosquito-tigre para norte da Europa. No Reino Unido, a transmissão local ainda não foi registrada, mas o aumento da atividade do mosquito pode eleger novas áreas de risco. A origem dos surtos na Europa está associada a viajantes que retornam de regiões tropicais, onde houve focos de chikungunya.
O relatório destaca dados recentes de surtos na França e na Itália, com centenas de casos em 2025, frente a números mais baixos nos anos anteriores. A Global Health Organization tem observado a presença do Aedes albopictus na região, já detectado no território britânico, ainda sem estabelecimento permanente.
Autoridades de saúde enfatizam a importância de ações de prevenção. Entre as estratégias sugeridas estão a educação comunitária sobre a eliminação de água parada, uso de roupas claras e longas, e aplicação de repelentes. Sistemas de vigilância também são apontados como fundamentais para monitorar o avanço do mosquito.
Segundo Diana Rojas Alvarez, da Organização Mundial da Saúde, o impacto da mudança climática é significativo, pois a chikungunya pode causar dor articular severa e persistente. Em alguns casos, a doença pode evoluir para quadros graves, especialmente em crianças pequenas e idosos. O estudo ressalta que, apesar do risco, ainda é possível controlar a disseminação por meio de medidas de saúde pública e de manejo ambiental.
A pesquisa publicada no Journal of the Royal Society Interface utiliza dados de 49 estudos anteriores sobre chikungunya em mosquitos-tigre para estabelecer o intervalo de temperaturas compatível com a transmissão. Os pesquisadores destacam que o conhecimento detalhado de locais e meses de possível transmissão auxilia as autoridades locais na tomada de decisões operacionais.
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