- Cientistas alertam que já estamos próximos de um “ponto de não retorno” para o aquecimento global, o que pode levar a uma cascata de pontos de inflexão climáticos.
- Com 1,3 °C de aquecimento, eventos climáticos extremos já tiram vidas e destroem meios de subsistência em todo o mundo.
- Atingir 3 a 4 °C pode provocar falhas profundas na economia e na sociedade; um estado de “hothouse Earth” seria ainda mais extremo.
- O estudo, com síntese de 16 elementos de inflexão climática, aponta que componentes do sistema terrestre podem estar mais próximos da Destabilização do que se pensava.
- Sinais de enfraquecimento do Atlântico (amoc), derretimento de gelo na Groenlândia e na Antártida ocidental e riscos para a Floresta Amazônica já são observados, aumentando o risco de impactos irreversíveis.
O estudo alerta que o planeta pode estar próximo de um “ponto de não retorno” na elevação da temperatura global, após o qual o aquecimento descontrolado seria irreversível. A análise aponta a possibilidade de uma cascata de pontos de inflexão e feedbacks que manteriam a Terra em regime de clima muito mais extremo. O cenário seria um hothouse Earth, com consequências muito além dos 2-3 °C previstos.
Os pesquisadores juntaram evidências sobre 16 elementos de inclinação climática, incluindo as calotas da Groenlândia e da Antártida, geleiras de montanha, gelo marinho, florestas boreais, permafrost, a Amazônia e a Circulação Meridional de Veios do Atlântico (AMOC). Eles destacam sinais de instabilidade em Groenlândia e oeste da Antártida.
O grupo sustenta que o risco não depende de um único evento, mas de um acúmulo de mudanças que podem estar mais próximas de ocorrer do que se pensava. Mesmo com reduções rápidas de combustíveis fósseis, reverter o curso pode tornar-se inviável se já houver caminho instalado para um regime de calor extremo.
Participantes e impactos
A equipe é chefiada por William Ripple, da Oregon State University, EUA, e inclui Christopher Wolf, da Terrestrial Ecosystems Research Associates, além de Johán Rockström, do Potsdam Institute, e Hans Joachim Schellnhuber, do IIASA. Tim Lenton, da Universidade de Exeter, também participa da discussão.
Segundo os pesquisadores, o Amoc já apresenta sinais de enfraquecimento, o que poderia aumentar o risco de declínio da Amazônia. A liberação de carbono com esse processo intensificaria o aquecimento global e interagiria com outras retroalimentações, ampliando os impactos sobre sociedades e economias.
O estudo, publicado na revista One Earth, compila descobertas recentes sobre feedbacks climáticos e alerta para a insuficiência das ações climáticas atuais para evitar caminhos mais perigosos. Os autores ressaltam que a incerteza persiste, mas o conjunto de evidências aponta para riscos reais.
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