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País revisa rastreamento do câncer de colo do útero para ampliar alcance

Brasil precisa revisar o rastreamento do câncer do colo do útero para atingir mulheres vulneráveis e reduzir mortes pela doença

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Por Revisado por: Luiz Cesar Pimentel
Médico ginecologista liga trompas de Falópio em exemplo de representação do sistema reprodutor feminino.
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  • O câncer de colo do útero segue sendo um desafio de saúde no Brasil, com milhares de casos e mortes anuais e falhas na organização do cuidado e no acesso das mulheres em maior risco.
  • O rastreamento tradicional pelo Papanicolau reduziu a incidência, mas teve impacto limitado na mortalidade, atingindo principalmente quem já acessava serviços de saúde.
  • Em dois mil e vinte e três, foi aprovada a incorporação do teste de DNA do HPV ao SUS, permitindo identificar risco antes de surgirem lesões e facilitar o acompanhamento de mulheres com maior probabilidade de desenvolver a doença.
  • A implementação começou em dois mil e vinte e quatro, com pilotos em capitais e expansão prevista para todos os estados até dois mil e vinte e seis, incluindo a possibilidade de autocoleta.
  • A vacinação contra HPV, disponível desde dois mil e quatorze, continua essencial, mas o rastreamento continua decisivo para mulheres já expostas ao vírus, exigindo organização do cuidado, busca ativa e comunicação clara para alcançar populações desassistidas.

O câncer de colo do útero continua sendo um desafio para a saúde pública brasileira. O país possui tecnologias de prevenção e rastreamento no SUS, mas enfrenta falhas na organização do cuidado e na comunicação com a população. A mortalidade permanece elevada.

O problema não é apenas o conhecimento da doença, mas a forma como as estratégias de prevenção são implementadas. O modelo baseado no Papanicolau reduziu a incidência, mas não alterou de modo significativo a mortalidade entre mulheres de maior risco.

A adoção do teste de DNA do HPV pelo SUS, aprovada em 2023, representa uma mudança relevante. O teste identifica HPV de alto risco antes de lesões se desenvolverem, permitindo estratificar o risco e acompanhar mais intensamente quem tem maior probabilidade de adoecer.

Nova etapa de rastreamento

Projetos-piloto em capitais como Recife deram início à implementação gradual, em 2024, com expansão prevista para todos os estados até 2026. A tecnologia é mais sensível e permite ampliar intervalos entre exames quando o resultado é negativo, além de possibilitar autocoleta.

Essa mudança busca ampliar o alcance em territórios historicamente desassistidos. A estratégia depende de organização do cuidado, busca ativa de mulheres nunca rastreadas e integração entre sistemas de informação e comunicação.

Desafios e desigualdades

A vacinação contra o HPV é a base da prevenção, disponível gratuitamente desde 2014. A vacina é segura e eficaz para prevenir tumores associados ao vírus quando aplicada antes da exposição sexual. Mesmo assim, gerações adultas continuam com risco residual.

Cerca de 60% dos diagnósticos ocorrem em estágios avançados, dificultando o tratamento. Mulheres que nunca foram rastreadas ou tiveram exames irregulares concentram a mortalidade, revelando desigualdades de acesso ao cuidado ao longo da vida.

Perspectivas

Eliminar o câncer de colo do útero é possível e depende de transformar a oferta em acesso real. É preciso integrar dados, organizar o rastreamento de forma ativa e enfrentar barreiras estruturais que mantêm a doença como causa de morte.

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