- Pesquisadores analisaram genomas de oito espécies de barata, incluindo quatro tipos de cupim, e encontraram genomas mais simples nas espécies que se alimentam de madeira.
- A complexidade social dos cupins surgiu mais pela perda de genes — relacionados a metabolismo, digestão e reprodução — do que pelo ganho de novos genes.
- O desenvolvimento de diferentes castas depende da nutrição recebida pelas larvas: as mais bem alimentadas viram operárias estéreis; as menos nutridas, quando adultas, tornam-se reis ou rainhas.
- Os cupins são monogâmicos, com fêmeas que se reproduzem com apenas um macho, princípio já presente nos ancestrais.
- O estudo aponta que o caminho evolutivo começa com baratas da madeira na era mesozoica, que adotaram a dieta de madeira e deram origem às sociedades de cupins.
A partir de análises de genomas de baratas, pesquisadores investigaram como as sociedades de cupins evoluíram. O estudo compara espécies que se alimentam de madeira com outras baratas, buscando entender por que as colônias ficaram mais complexas com o tempo.
Os cientistas revelam que cupins e baratas de madeira apresentam genomas mais simples do que o restante das baratas. Componentes ligados a metabolismo, digestão e reprodução aparecem ausentes nesses insetos que consomem madeira.
A pesquisa, publicada em 29 de setembro na revista Science, indica que a complexidade social não veio da ampliação genética, e sim da perda de certos genes. A monogamia ancestral aparece como sinal evolutivo relevante nessa leitura.
Evolução genômica e comportamento social
Experimentos mostram que o desenvolvimento de castas depende da nutrição recebida pelas larvas. Nutrição mais alta acelera metabolismo e gera operárias estéreis, enquanto nutrição menor mantém a fertilidade de indivíduos maduros que viram reis ou rainhas.
O estudo enfatiza que a organização social dos cupins envolve cooperação entre indivíduos. Por exemplo, operárias alimentam as ninfas, e soldados defendem a colônia, enquanto a reprodução fica a cargo de reis e rainhas.
Contribuições mostram ainda que a ausência do flagelo nos espermatozoides dos cupins é compatível com uma história de monogamia. A ausência de esse componente sugere corrida reprodutiva sem competição entre machos.
Os resultados apoiam a ideia de que a dieta de madeira favoreceu a simplificação genômica, preparando o caminho para estruturas sociais mais complexas. A pesquisa envolve equipe internacional de cientistas.
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